Jabuti institui prêmio popular
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 19 de abril de 2001
Haroldo Ceravolo Sereza Agência Estado 
O Prêmio Jabuti - o mais tradicional do setor livreiro do País - deste ano terá duas novas categorias: o Jabuti Popular, para a melhor obra de ficção e para a melhor obra de não-ficção. A votação será feita pela Internet, até o dia 15 de maio, por meio dos sites www.cbl.org.br ou www.submarino.com.br. A entrega do prêmio, patrocinado neste ano pela livraria virtual Submarino, ocorre no dia 19 de maio, no Rio de Janeiro, durante a Bienal do Livro. Concorrem ao Jabuti Popular 43 obras de ficção e 87 de não-ficção.
A disputa inclui nomes como Lygia Fagundes Telles (pelo livro de contos Invenção e Memória, já premiado pela Associação Paulista de Críticos de Arte), Milton Hatoum (pelo romance Dois Irmãos), Fernando Morais (pelo livro-reportagem Corações Sujos) e Ronaldo R. Freitas Mourão (por A Astronomia na Época dos Descobrimentos).
Essa é a 43ª edição do Prêmio Jabuti, mantido pela Câmara Brasileira do Livro. A cada ano, três livros são premiados em cada uma das 16 categorias (essas listas tríplices já estão disponíveis no endereço da CBL), que vão de romance a capa, passando por livro de contos ou crônicas, livro didático, poesia, infanto-juvenil, ensaio e biografia.
Dos três nomes indicados para cada categoria, um deles recebe uma espécie de menção especial. Além da estatueta do Jabuti, fica com um valor simbólico, de R$ 1.000. Todos os anos, também são premiadas a melhor obra de ficção e a melhor obra de não-ficção. Cada vencedor recebe um cheque de R$ 12 mil. A escolha, nesse caso, sai das mãos dos jurados do prêmio e passa para a dos livreiros e editores associados à CBL.
Além do excesso de prêmios (no total, são 48 por ano, mais os especiais, que em 2001 serão dois, para autor revelação em literatura infantil e para o amigo do livro), que leva a resultados desmerecidos e à diluição do interesse para os que realmente deveriam ser destacados, a eleição por livreiros e editores é um dos problemas apontados no prêmio.
Afinal, a escolha pelo mercado editorial não é, necessariamente, feita pela qualidade da obra. Acaba sendo contaminada pelos interesses comerciais dos editores e livreiros - interessados em estimular as vendas dos seus produtos.
Apesar de todas as injustiças que a premiação produz anualmente, o Jabuti costuma também acertar nas escolhas e a revelar autores. No ano passado, tornou conhecido Menalton Braff, autor da coletânea de contos À Sombra do Cipreste, publicado por editora do interior, a Palavra Mágica. Até esse livro, Braff, um professor do interior de São Paulo, usava o pseudônimo Salvador dos Passos. Agora, seu verdadeiro nome já faz parte da paisagem literária do País.


