DivulgaçãoArnaldo Jabor: ‘‘Tenho uma formação um pouco iluminista no sentido de querer me meter, melhorar o mundo’’Aos 57 anos de idade, Arnaldo Jabor descobriu o prazer de fazer jornalismo. Todos os dias, quando entra na Globo para gravar os comentários exibidos no Jornal Nacional e diversos outros telejornais da casa, sente-se interferindo na vida do País, no sentido mais amplo que sua tradução da realidade possa alcançar. ‘‘Participar da vida real é maravilhoso’’, anima-se.
Tudo serve de matéria-prima para análise. A marcha dos sem-terra, a votação do salário dos deputados federais, o provão do MEC e o governo Fernando Henrique Cardoso. Sobre o governo, aliás, Jabor faz questão de esclarecer que sente-se à vontade para tecer comentários contra ou a favor. ‘‘As pessoas não percebem que a liberdade está a풒, reclama, referindo-se aos críticos de plantão.
A reaproximação com o jornalismo foi quase que compulsória para Jabor, que no início da carreira havia trabalhado no jornal Última Hora. Diante da situação constrangedora pela qual os cineastas brasileiros passaram depois da extinção da Embrafilme, voltar a escrever em jornais foi a sua tábua de salvação. Primeiro foi a Folha de S. Paulo, depois veio o jornal O Globo e, então a tevê Globo. Arnaldo Jabor também assina coluna todas as terças-feiras na Folha2.
Longe da tevê, onde os cabelos desgrenhados e a postura impetuosa são sua marca registrada, Jabor mostra-se plácido e gentil. Responde a cada pergunta com interesse e tece pequenas teses sobre os diversos assuntos. Virou um analista da realidade. ‘‘O cinema é muito intuitivo. Gosto de âncoras que me puxem para o mundo real’’, compara.
O cinema está temporariamente aposentado. No currículo, ‘‘Toda Nudez Será Castigada’’, ‘‘O Casamento’’, ‘‘Eu Te Amo’’ e ‘‘Eu Sei que Vou te Amar’’ registram o passado. Mas Jabor não descarta a idéia de voltar a filmar. ‘‘O problema é que o cinema não permite que se faça mais nada’’, diz.
Escrever foi mais uma descoberta. Fala com orgulho do livro ‘‘Sanduíches da Realidade’’, que acaba de lançar pela Objetiva, com crônicas publicadas nos últimos anos. O próximo passo é um romance. ‘‘Mas preciso de tempo para fazer bem feito. Respeito a literatura’’, pondera.
Voltar ao jornalismo foi uma opção de sobrevivência?

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