Ivone Kassu não brinca em serviço
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sexta-feira, 27 de março de 1998
Antônio Mariano Júnior 
Egos de várias dimensões passam ou já passaram por suas mãos. Mas todos, como garante, são massageados da mesma maneira. Afinal, seu trabalho consiste em colocá-los (alguns mais outros nem tanto) em evidência na mídia. E ela consegue. Afinal seu nome tem facilidade de abrir portas até nos mais sisudos meios de comunicação. É Ivone Kassu. Ou Kassu, como a grande imprensa a conhece.
Seu ofício, assessora de imprensa. A primeira a ter um escritório, montado há 20 anos, no Rio de Janeiro onde foram assinados contratos para assessoria de artistas como Roberto Carlos, Elis Regina, Milton Nascimento, Maria Bethânia, Simone, Elba Ramalho, Chico Anysio, Zélia Duncan, Jorge Benjor entre outras figuronas. A grife Kassu, entretanto, não se limita apenas à MPB - ela também assessora (ou já assessorou) atores e até mesmo artistas plásticos.
E num Festival de Teatro de tamanha importância, como é o caso de Curitiba, melhor pessoa para fazer a ponte entre os artistas e a mídia só poderia ser Ivone Kassu. É ela que comanda uma equipe de seis jornalistas, dos quais três do Rio de Janeiro e outros três de Curitiba.
Ivone não pára um só segundo. É raro vê-la sentada sem nada o que fazer. É agitada, fala, dá ordens, verifica se esse ou aquele artista já chegou, conversa com jornalistas. É quase onipresente. E mesmo na correria toda ainda encontra gás para dar informações recheadas com bom humor. O Gilberto Gawronski (ator do espetáculo Dama da Noite) pode ser considerado o miss simpatia porque recebe a imprensa a qualquer momento, no almoço, no café da manhã. É maravilhoso- avisa.
Ivone é paulista de Itu, onde nasceu há 55 anos. De lá foi a São Paulo para fazer jornalismo quando o empresário Roberto Colossi, já falecido, a convidou para fazer trabalho de assessoria para o MPB-4. Isso em 68. Ano seguinte mudou-se de mala e cuia para o Rio de Janeiro, levada por Chico Anysio. E foi lá, na tal Cidade Maravilhosa, que o nome de Ivone Kassu ganhou corpo.
Ela, sem falsa modéstia nenhuma, reconhece que seu estilo de assessoria fez escola. É por esse motivo que até o ano 2000 pretende lançar um livro contando sua experiência como assessora de imprensa onde, certamente, haverá espaço para contar alguma coisinha sobre artistas que se tornaram grandes estrelas. Quero sobretudo deixar uma luz para quem quer seguir a carreira- diz ela.
Essa luz serviu, por exemplo, para que uma certa Zélia Cristina se tornasse a aclamada Zélia Duncan. Kassu a ajudou não só como assessora de imprensa, também contribuiu na procura de uma gravadora e uma produtora. Resultado: em seu segundo disco, em 96, estourou em todo o Brasil e Zélia Duncan passou a ser uma artista cada vez mais em ascensão.
Kassu afirma não ser apenas uma assessora de imprensa que vai, faz o trabalho e pronto. Meu trabalho é tão forte quanto o do artista quando está no palco. Eu valorizo a todos. Quantas vezes eu quase chorei ao ler críticas negativas a alguns dos artistas com quem trabalhei- conta.
As palavras soam verdadeiras. Ela só se esquiva, no entanto, de falar com quem jamais voltaria a trabalhar. Já guardei mágoas de algumas pessoas, mas através da meditação aprendi a superar tudo isso, inclusive a fase em que fui agressiva- conta. Espiritualista, essa é sua crença. Missão, é o nome provável que dá ao seu ofício. Rica? Se eu ganhasse tanto dinheiro assim não estaria trabalhando. Trabalho porque preciso e porque eu gosto- avisa. Eu vou dar um conselho para quem quer fazer assessoria de imprensa com artistas: sejam antes de mais nada surdos, cegos e mudos- completa.


