Ivetthy Souza estréia em CD
Ranulfo Pedreiro
De Londrina
Ao tomar o leme do mercado brasileiro, a indústria fonográfica não imaginava que tanta gente fosse pular do barco e navegar por conta própria. A rejeição em adotar as regras do sucesso guiou a cantora Ivetthy Souza, que está lançando De Onde Vens.
O disco, independente, ganhou apoio da Mix House e distribuição pela Eldorado. Ivetthy Souza traz uma voz enrouquecida com timbre característico e boa extensão, articula bem o som e tem uma forte queda pela música instrumental. Ao contrário das tendências em voga, ela não mistura forró com pagode, nem carnaval com eletrônico. Segue, simplesmente, uma boa verve da MPB, acrescentada, no máximo, de toques de jazz.
Há um espaço nobre oferecido ao instrumental. Ivetthy Souza não elaborou um disco onde apenas a voz se destaca e os arranjos se limitam a moldá-la. Os músicos têm vida própria e mostram por que foram escalados. Eu não queria um trabalho que fosse comercial, queria uma coisa verdadeira. Não é um disco só de voz, mas também de trabalho instrumental. Escolhi músicos que normalmente não acompanham cantores, explica, em entrevista à Folha2. De Onde Vens conta com direção musical do guitarrista Paulinho Paraná, foi gravado em São Paulo e masterizado nos Estados Unidos.
O repertório traz músicas conhecidas como Influência do Jazz (Carlos Lyra), Aos Nossos Filhos (Ivan Lins/Vitor Martins) com participação especial de Claudette Soares e Laércio de Freitas e Menino das Laranjas (Théo de Barros) as duas últimas fizeram parte do repertório de Elis Regina.
A faixa título, de Dori Caymmi e Nelson Motta, é um dos grandes momentos do álbum. A voz de Ivetthy fica mais límpida, ancorada por um ótimo arranjo de sopros e violão, destacando o maestro Théo de Barros no violão de sete cordas. De Onde Vens já vale o CD. Mas há ainda Mata (Djavan) e Velho Piano (Dori Caymmi/ Paulo César Pinheiro), entre outras. O compositor Itiberê Zwarg aparece com duas faixas, e revela influência de Hermeto Pascoal.
Sou contra acreditar que o público brasileiro só gosta de coisas bregas. O brasileiro não é burro e sabe diferenciar um trabalho de qualidade. Os modismos passam, mas a verdade vai continuar sempre, comenta a intérprete. Ivetthy Souza demorou dez anos para lançar um ótimo álbum. O disco pode ser encomendado pelos telefones (11) 282-7567/282-1872.





