Ivan Lins lança CD verde-amarelo
Zeca Corrêa Leite
De Curitiba
O Brasil está tão atrelado ao estrangeiro, num complexo de inferioridade ancestral, que até o Natal tem a imagem santificada da Europa e Estados Unidos. Ivan Lins, ao gravar Um Novo Tempo, CD que está sendo lançado pela Abril Music, fez o caminho contrário. Dar cores nacionais à época onde o cristianismo fica em alta.
O Brasil precisa proclamar a independência do Natal. Temos que criar o nosso próprio Papai Noel, disse ele para a Folha2. Para Ivan, Natal é realmente um tempo de congraçamento entre as pessoas. Por toda a vida ele sempre teve as portas da casa abertas, transformando a festa que para muitos é restrita à família num encontro que vai além desses limites.
Esse é o espírito brasileiro, e por que não colocá-lo nas vestes do Papai Noel, nas músicas que são executadas nessa época? Movido por esses questionamentos, Ivan montou um projeto e apresentou-o à Abril Music em setembro passado, cuja proposta era a gravação de um disco onde os ritmos fossem nacionais. Para sua surpresa, a aprovação foi imediata e na íntegra.
Em poucos dias tinha nas mãos composições de outros autores, como Aldir Blanc pedi uma letra num dia, e no dia seguinte ele me trouxe três, disse o compositor além das suas, enquanto trabalhava na roupagem de clássicos como Noite Feliz. Convidou Simone e José Feliciano como participações especiais. Adoro José Feliciano, justifica-se por trazer o cantor.
Ivan Lins faz justiça a Simone. Foi ela quem descobriu o mercado discográfico natalino, com o CD temático lançado em 97. De alguma maneira é nesse caminho aberto por ela que ele está seguindo, mas dentro da sua concepção verde-amarela. Enfim, Natal não é tão somente um novo disco de Roberto Carlos.
Temos que inventar o nosso Papai Noel, insiste o artista, que sente muita pena daqueles que se enfiam numa fantasia de modelo europeu, e ficam horas se desidratando lá dentro, batendo sininho e distribuindo balas às crianças nas ruas. Para os países gelados, o figurino cai bem, mas no calor escaldante dos trópicos é um contra-senso.
É uma tortura, não se faz isso com Papai Noel. O velhinho brasileiro deverá ser folião com guisos nos pés e todo colorido, desenha ele. Em vez das fartas roupas, vestiria camiseta. Ivan não pára aí: o Natal deveria começar no dia 24 e terminar em 6 de janeiro, com a Folia de Reis. Depois da espiritualidade, a festa. Presente também não é tudo; um abraço, um beijo valem muito mais.
Deitado em berço esplêndido, o País ainda não acordou que é uma grande lição ao planeta, como argumenta o artista. Este é um dos poucos, ou o único a abrigar em si todos os povos, explica. As guerras que pipocam nas mais variadas regiões geram inimigos de morte, mas esses mesmos povos espalhados em território brasileiro, dividem a mesma mesa. Essa é a grande lição de congraçamento que damos ao mundo.
Um Novo Tempo CD de Ivan Lins com músicas natalinas, lançado pela Abril Music.





