Mário CesarIvan Lins pega carona no CD do trompetista Terence Blanchard e concorre ao Grammy deste ano

A única sensação que a indicação para o Prêmio Grammy de melhor performer de jazz latino provocou no cantor e compositor carioca Ivan Lins foi a de surpresa. Nem tanto pela indicação em si, mas mais pelo fato de ela ser decorrência da participação de Lins em ‘‘The Heart Speaks’’, CD do trompetista norte-americano Terence Blanchard.
‘‘É estranho eu ter chegado à indicação pegando carona no disco de Blanchard’’, disse Ivan Lins. Essa não é a primeira vez em que ele é indicado ao Grammy. Já concorreu em 1980, com a gravação que George Benson fez de ‘‘Dinorah’’, em 1981, quando Quincy Jones gravou ‘‘Velas Içadas’’, em 1985, 1988 e 1990. Lins diz que acha difícil ir à festa de premiação. ‘‘Eu sou bicho do mato, não gosto daquela badalação toda.’’
Nacionalista, o compositor diz que, se ele levar o prêmio, quem ganha é o país. ‘‘Minha inspiração e minhas raízes estão aqui. Devo tudo ao meu país.’’
Gravado na segunda metade de 1995, o CD ‘‘The Heart Speaks’’ foi lançado nos Estados Unidos em março do ano passado. Segundo Lins, não há previsão de lançamento no Brasil.
‘‘Como ele foi gravado pela Columbia norte-americana, acho difícil ser lançado no mercado nacional. Pode ser que, com a indicação para o Grammy, a Sony Music tape os ouvidos e acabe lançando o disco aqui.’’ A música de Lins foi apresentada a Blanchard pelo produtor Miles Goodman, morto há quatro meses. Apaixonado por música brasileira, ele mostrou gravações do brasileiro para o trompetista. Após ouvi-las, Blanchard decidiu gravar o trabalho apenas com composições de Lins e convidá-lo para tocar em duas faixas e cantar em outras seis. ‘‘O trabalho traz composições inéditas como ‘Just for Nana’, homenagem que faço a Nana Caymmi, e ‘Orozimbo e Rosiclair’, na qual homenageio o Zimbo Trio.’’
O fato de ter sido indicado como performer soou estranho para ele. ‘‘Nos Estados Unidos, eu sou muito mais lembrado como compositor do que como intérprete’’, disse Lins, que está pré-produzindo um CD só com composições de Noel Rosa. Ele não é o único brasileiro indicado de forma indireta ao Grammy de 1997. ‘‘The Man from Ipanema’’, de Tom Jobim, concorre a melhor coletânea em caixa do ano. Um dos candidatos a melhor solo de jazz instrumental é Gonzalo Rubalcabia, por ‘‘Água de Beber’’, do CD ‘‘Antonio Carlos Jobim and Friends’’. E Moogie Canazio concorre como melhor engenheiro de som pelo disco ‘‘Oceano’’, do brasileiro Sérgio Mendes.

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