Itaú Cultural abre dupla exposição amanhã
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domingo, 22 de agosto de 1999
Por Antônio Gonçalves Filho 
São Paulo, 23 (AE) - A evolução tecnológica ainda não permitiu criar hologramas gigantescos que permitam o acesso de um público razoável a museus virtuais, mas uma sensação bem próxima a esse mergulho tridimensional pode ser experimentada em "Cotidiano/Arte: a Técnica", uma dupla exposição que o Itaú Cultural abre amanhã (24) para o público. Na primeira mostra, "Máquinas de Arte", o crítico carioca Frederico Morais reuniu alguns pioneiros da arte cinética no Brasil, entre eles Abraham Palatnik e Waldemar Cordeiro.
Na segunda, "Imateriais", uma equipe do Itaú Cultural comandada por Ricardo Ribenboim, Jesus de Paula Assis, Ricardo Anderáos e Roberto Moreira enfrenta o desafio de reeditar uma histórica exposição francesa, "Les Immatériaux", organizada no Centro Pompidou, em 1985, pelo filósofo do pós-modernismo, Jean-François Lyotard. Nessa segunda exposição, o espectador é convidado a percorrer uma instalação de 85 metros criada para estimular concretamente seus cinco sentidos.
Fotografado e avatarizado (desintegrado), ele ganha uma senha e entra num ambiente virtual com 25 computadores, dispostos em cinco salas, cada uma destinada a fazer com que o visitante responda aos estímulos dos cinco sentidos, podendo conversar - o avatar, é claro - com outros visitantes da mostra por intermédio de microfones acoplados a cada computador. A experiência é fascinante. Nem mesmo o olfato, o mais difícil de encontrar correspondência visual, deixou de ser contemplado na mostra "Os Imateriais".
A primeira exposição, "Máquinas de Arte", não é menos interessante. Ocupa os dois primeiros andares do Itaú Cultural com obras históricas hoje copiadas até pela publicidade, caso da "Bolha" (1967) de Marcelo Ntische, uma gargantuélica peça em nylon vermelho e mangueira plástica que, acionada por um exaustor industrial, sobe como um balão, exatamente como seus simulacros hoje instalados em frente às lojas de automóveis.
Da mesma época é o aparelho cinecromático de Palatnik, um objeto com lâminas de plástico acionadas por motor. Um deles foi mostrado na primeira Bienal de São Paulo, em 1951, revelando o vanguardismo do artista de Natal. Outros profetas da arte cinética estão presentes na mostra, como Maurício Salgueiro, na obra de quem o minimalista Dan Flavin certamente buscou inspiração.
A prova de sua antevisão é uma escultura luminosa de 1964, objeto em metal com lâmpadas fluorescentes instalada a poucos metros de distância de sua obra mais perturbadora, "A Poça" (1986), em que um objeto de poliéster emerge de um cubo de madeira espalhando tinta vermelha sobre a superfície de madeira. O "Alien" de Giger não passa de brinquedo de criança perto de Salgueiro. Serviço - "Cotidiano/Arte: a Técnica". De terça a sexta, das 10 às 21 horas; sábado, domingo e feriado, até 19 horas. Itaú Cultural. Avenida Paulista, 149, tel. 238-1700. Até 24/10. Abertura amanhã (24) às 20 horas, para convidados


