São Paulo, 22 (AE) - Nos últimos anos, o trabalho do diretor italiano Franco Zefirelli teve algo em comum com o de seus conterrâneos Placido Domingo e Luciano Pavarotti. Ou melhor
um nome em comum. Os três contaram, na produção de seus espetáculos, com o diretor-técnico Fernando Duranti, que passou alguns dias em São Paulo.Ele será o responsável pela montagem da parafernália e efeitos visuais da ópera "Brasil Outros 500 - Uma Poop àpera", de Millôr Fernandes e Cristóvam Buarque, que deve estrear em abril no Teatro Municipal de São Paulo.
Duranti foi convidado a participar do espetáculo pelo produtor Luiz de Galvão, seu amigo há seis anos e com quem já trabalhou em outras produções. Em "Brasil Outros 500", o italiano vai contar com toda a equipe e infra-estrutura do Departamento de Cenografia de TV Cultura - a emissora é co-produtora do espetáculo - , incluindo o cenógrafo Marcelo Oka
responsável pelo aparato cenográfico de programas como o Castelo Rá-Tim-Bum.
Acostumado a produções grandiosas na Itália, Duranti pretende realizar algo do mesmo porte em "Brasil Outros 500", que tem direção musical de Julio Medaglia e trilha sonora composta por Toquinho e Wagner Tiso. "Será um espetáculo sobre toda a história do povo brasileiro, o que torna difícil a concepção técnica", diz o italiano. "Uma das dificuldades será o grande volume de cenários, que terão retroprojeções, efeitos hidráulicos e pirotecnia fria (laser), sem contar que todo esse movimento precisa entrar em sincronia com orquestra e o coral."
É a quinta vez que Duranti vem ao Brasil. Por aqui, já participou da montagem das óperas "O Guarani" e "Aida", ambas encenadas em Brasília há cerca de quatro anos. "Mas é a primeira vez que venho a São Paulo", afirma o Duranti, que há 32 anos é diretor-técnico do Teatro de àpera de Roma, um dos mais tradicionais da Itália. Entre as dezenas de montagens que fez lá estão Tosca, dirigida por Franco Zefirelli, a ópera Pagliacci e produções conjuntas com os tenores Placido Domingo e Luciano Pavarotti.
Com Zefirelli, Duranti formou uma parceria que já dura dez anos. Entre outros espetáculos, realizaram uma ousada e grandiosa montagem de "Aida", de Verdi, em Tóquio, por volta de 1997. Para ele, é uma grande satisfação trabalhar ao lado de Zefirelli. "É uma pessoa tranquila, um diretor com um profissionalismo exemplar, que trabalha até 12 horas por dia quando está envolvido num projeto", conta Duranti. "Antes de começar a ensaiar, ele passa seis meses pensando no projeto."
Tecnologia - Na opinião de Duranti, a evolução tecnológica e o desenvolvimento acelerado de equipamentos digitais vêm facilitando a produção de espetáculos e melhorando a qualidade das produções. Mas ele não concorda que a presença de efeitos visuais desvie a atenção do público. "As inovações técnicas servem como complemento da cena, tudo deve funcionar em conjunto", argumenta Duranti.
A concepção dos cenários de "Brasil Outros 500" ficará a cargo de Marcelo Oka e Luciene Grecco - ambos da equipe técnica da TV Cultura - com programação visual do cartunista Ziraldo. Segundo Oka, serão ao todo sete momentos de cenografia, entre eles o rochedo, na abertura; as caravelas em Lisboa e em alto-mar; e a chegada dos portugueses ao Brasil, que vai representar a obra da artista plástica Tarsila do Amaral.
"Haverá um momento em que serão colocados vários painéis com obras de artistas que retrataram o Brasil no passado e no presente", antecipa o cenógrafo, que pretende misturar as linguagens de TV e do teatro no espetáculo.

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