A Itália homenageou ontem Guglielmo Marconi, o inventor do rádio, transmitindo ao mundo inteiro, através da Lua, utilizada como parábola, a gravação de sua voz contando como enviou a primeira mensagem transatlântica há cem anos.
''Pouco depois do meio-dia de 12 de dezembro, quando coloquei o aparelho na orelha, às 12h30, escutei, de forma clara, três sons que correspondiam ao código morse. Havia vencido a distância. Tinha somente que aperfeiçoar o aparelho de recepção e transmissão'', contou Marconi.
Em colaboração com a Fundação Marconi e a Associação Italiana de fãs de rádio, o Centro Nacional para as Pesquisas, que Marconi dirigiu durante dez anos, até sua morte em 1937, utilizou um radiotelescópio de 32 metros, situado perto de sua cidade natal, Bolonha, para enviar várias mensagens à Lua.
Utilizando a superfície da Lua, transformada em uma gigantesca parábola que se reflete sobre a Terra, a voz de Marconi pôde ser ouvida em todos os lugares do mundo na frequência de 1296,1 MegaHertz.
Nascido em 1874 - faleceu em Roma a 20 de julho de 1937 -, Marconi, ligado ao regime fascista, do qual admirava a idéia de impor ordem, não foi amado em seu país, que hoje lhe reconhece como o criador do sistema das comunicações modernas.
O presidente da Itália, Carlo Azeglio Ciampi, e o primeiro-ministro, Silvio Berlusconi, homenagearam a ''inteligência e o caráter empreendedor'' do cientista italiano, Prêmio Nobel de Física em 1909.
Por outro lado, o ministro das Comunicações, Maurizio Gaspari, qualificou Marconi como um ''mito italiano'' e ''um verdadeiro herói do povo global''.

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