Fotos: Maranúbia Barbosa



As cúpulas das mesquitas dão à cidade uma atmosfera misteriosa e estão por toda parte. À direita, os jardins do Palácio de Dolmabahçe.

Em uma das coletâneas de contos mais famosos de todos os tempos, Sherazade conta histórias ao sultão, mas deixa o final para a noite seguinte. Passam-se mil e uma noites e a princesa conquista o marido, livrando-se da morte. Istambul é como um conto das Mil e Uma Noites. Uma surpresa sempre aguarda o dia seguinte em suas esquinas, nos jardins dos palácios, no silêncio das mesquitas e no semblante oculto das mulheres que ainda se cobrem com o véu negro. Assim como elas, a cidade se cobre com um véu de mistério e sensualidade típicos do Oriente.
Istambul reúne em seus domínios o Oriente e o Ocidente, e essa mistura envolvente lhe confere uma atmosfera mágica. A cidade das 2 mil mesquitas, pérolas da arte islâmica, eleva seus minaretes e encanta o turista. A beleza de Istambul surpreende até os mais viajados.
Localizada junto ao estreito de Bósforo e o mar da Mármara, Istambul deve sua importância á sua posição estratégica, entre o Mediterrâneo e o mar Negro, entre a Europa balcânica e a Ásia menor. A cidade desenvolveu-se em ambas as margens, e atualmente uma ponte une asa duas partes. A parte mais antiga é a européia, onde se encontra o bazar, o centro velho e grande parte do comércio de varejo e artesanato.
Fundada por volta de 600 A.C. com o nome de Bizâncio, a cidade foi transformada em capital do Império Romano do Oriente por Constantino, que mudou seu nome para Constantinopla, mantido até 1930. Arrasada pelos cruzados em 1204 e tomada pelos turcos em 1453, converteu-se em capital do Império Otomano até 1923, quando foi proclamada República da Turquia, a Ancara passou a ser a capital.
Mesquitas A chegada à Istambul, por si só é impressionante. Saindo do aeroporto trafega-se por uma avenida que ladeia o mar de Mármara, guardado pelas ruínas da antiga Constantinopla. O Corno de Ouro, uma extensão do Mar Negro que tem foram de chifre, é uma visão simplesmente deslumbrante. Mas poupe o fôlego para a visita à Mesquita. Num país essencialmente muçulmano elas estão por toda parte.
A primeira delas é a de Suleyman, o Magnífico, obra do século 16. Belo exemplo de arte otomana clássica, é rodeada por um complexo arquitetônico de rara expressividade.
Especial atenção merece a Mesquita Azul, do sultão Ahmet, edificada a partir de 1609. Nela há seis interiores ricamente decorados por tapetes, arabescos e mosaicos islâmicos. As inúmeras abóbadas que compõem o visual externo da Mesquita Azul são deslumbrantes. Poucos metros separam-se de uma praça cercada de vários monumentos. O mais importante é o Hipódromo, construído pelo imperador romano Sétimo Severo para apresentações esportivas e artísticas. Ao seu lado encontra-se um obelisco egípcio trazido de Karnak e a Coluna Serpentina, proveniente da Grécia, originalmente composta de três serpentes entrelaçadas.
O melhor momento da arquitetura bizantina e da história da arte está na igreja de Santa Sofia, erguida depois de 532 D.C. sob o reinado de Justiniano I. Seu interior é revestido por ricos mosaicos, posterior ‘a crise iconoclasta. Foi convertida em mesquita após a conquista de Constantinopla pelos turcos em 1453, que então lhe acrescentaram quatro minaretes. Hoje, Santa Sofia é um museu que arranca profundos elogios dos visitantes.

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