Uma história movimentada e farsesca marca o retorno do Ballezinho de Londrina aos palcos do Circo Teatro Funcart. A trupe de jovens bailarinos estréia hoje a nova coreografia, ‘‘Era Uma Vez...’’, que leva assinatura do coreógrafo e bailarino Wagner Rosa. Os 31 bailarinos do Ballezinho e Ballet Jovem (nova denominação para o balé amador com integrantes acima de 13 anos) apresentam duas coreografias já conhecidas ‘‘Female’’ e ‘‘Tchibum’’, intercaladas pela nova montagem.
‘‘Era Uma Vez...’’ faz uma paródia irreverente ao balé clássico. O coreógrafo Wagner Rosa dilui na coreografia referências de balés consagrados como ‘‘Coppélia’’, ‘‘Dom Quixote’’ e ‘‘O Lago do Cisne’’, além de agregar elementos da danças típicas. Wagner Rosa insere a pantomima para ressaltar a idéia de paródia burlesca. Pode-se observar ainda influências da movimentação do cinema mudo em algumas cenas.
Wagner Rosa argumenta que nesse trabalho ele não se fixou num compromisso de seguir uma coreografia específica. A partir da Nona Sinfonia, de Ludwig van Beethoven, a obra mais popular do mestre alemão e que não foi composta originalmente para balé, o coreógrafo concebeu a história. ‘‘Procurei conciliar uma história que não existia com uma música que não era própria para o bal钒, explica.
A trama de ‘‘Era Uma Vez...’’ pode ser considerada uma típica comédia de costumes, apresentando um caixeiro-viajante vigarista (Max Bruno/Aguinaldo de Souza) que chega a um vilarejo e vende mercadorias com defeitos e fórmulas curativas ineficazes. Expulso da localidade, o teimoso farsante retorna e aplica novo golpe. O vigarista enfrenta o furor dos aldeões e acaba fingindo-se de morto para se safar. Reencontrado tempos depois, os moradores novamente compram seus produtos. Desta vez, o caixeiro-viajante é convidado a participar da vida do vilarejo e os moradores o punem pelos erros do passado. A nova coreografia possui 18 minutos.
O Ballezinho agrega alunos da Escola Municipal de Dança, que vêm de todas as estratificações sociais. Aqueles matriculados em escolas públicas recebem bolsa, passando por uma pré-seleção. No currículo da trupe constam montagens de ‘‘Enquanto o Sono Não Vem’’ (1998); ‘‘Contra’’ (1998); ‘‘Ritual’’ (1999) e ‘‘Tchibum’’ (2000). Alguns integrantes do Ballezinho estão estagiando no Ballet de Londrina. A Escola Municipal de Dança também inscreveu no cenário cultural da cidade a arte como função social. Em muitos casos, da dança seguiu os passos do resgate da cidadania.
Carina Corte, 24 anos, formada em Dança pela Unicamp, faz sua estréia hoje em Londrina. A família da bailarina é de Guararapes (SP) e pelas mãos de um amigo ela chegou a Londrina, sendo convidada por Wagner Rosa para integrar o Ballezinho. ‘‘Dancei em muitas escolas pelo interior de São Paulo e achei fantástico a estrutura da Escola Municipal de Dança de Londrina, como também o Circo Funcart’’, afirma. Além das aulas regulares na Escola, Carina Corte ensina dança na periferia de Londrina, no Parque São Jorge e João Turquino (ambos na zona oeste).
•‘‘Era Uma Vez...’’, com o Ballezinho de Londrina, de hoje até 22 de julho, de quinta a domingo, às 21 horas, no Circo Teatro Funcart (Rua Souza Naves, 2380, em Londrina. Ingressos: R$ 6,00 e R$ 3,00 (contribuintes da Funcart, estudantes e maiores de 65 anos). Patrocínio: Lei Municipal de Incentivo à Cultura. Incentivadores: Caixa Econômica Federal e InterStation.

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