De Maria Alcina, muitos se lembram de ''Fio Maravilha'', seu primeiro e principal sucesso. A música de Jorge Ben marcou sua estreia como cantora, que a interpretou num festival no palco do Maracanãzinho, no Rio de Janeiro, em 1972.

Dona de voz grave e estilo irreverente, ela nunca mais emplacou uma canção nas paradas com a mesma penetração popular, embora tenha tocado a carreira com integridade, sempre na seara da MPB. A partir de 2003, com o lançamento do álbum ''Agora'', seu nome voltou a circular com prestígio entre o público jovem, músicos e críticos.

E neste ano, ao lançar o álbum ''Maria Alcina Confete e Serpentina'', conquistou troféus nas categorias Melhor Cantora e Melhor Álbum no Prêmio da Música Popular Brasileira. É o show do novo disco que ela traz hoje a Londrina como convidada especial no aniversário de 30 anos do bar Valentino.

No palco, a artista será acompanhada pelo guitarrista e violonista Sérgio Arara e pelos músicos locais Ricardo Penha (baixo), Clessio Burici (teclados) e Paulinho Taca (bateria).


Você já veio a Londrina?

Já estive aí e não foi só uma vez, não. Mas não lembro quando. Eu tenho esse problema. Às vezes vou a uma cidade e falo no show ''é a primeira vez que venho aqui....'' e alguém grita da platéia ''não é a primeira vez não, é a segunda vez''. Tenho 38 anos de carreira e guardo recortes de jornais e revistas dos anos 70. Acho que está chegando a hora de eu lembrar da minha história.

Como será esse show? Você vem com banda?

Vou levar o músico Sérgio Arara e tocar com alguns músicos de Londrina. Sempre trabalhei assim. Quando fecho um show, procuro ter a companhia de músicos locais que recebem e ensaiam antes o repertório da apresentação. Isso dá um sabor diferente ao espetáculo, me ativa e me renova. Vou mostrar músicas do ''Confete e Serpentina'' e músicas antigas, que são sempre pedidas pelo público.

Qual a importância do figurino em seus espetáculos?

Palco é fantasia e minha proposta é divertir e entreter. Meto um pretinho básico e vou jogando os adereços. Aprendi isso com figurinistas e maquiadores com quem trabalhei na década de 70. De lá para cá, engordei um pouquinho. Preciso me cuidar, hahaha.

E a Carmen Miranda sempre foi uma referência, não?

Ela está sempre comigo. No próximo mês, vai sair um CD pela Warner em comemoração ao centenário dela. Eu canto quatro faixas.

Você se encaixa em algum rótulo, MPB, samba?

Minha obra é variada. No começo, gravei Jorge Ben, Moraes Moreira, Eduardo Dussek. Tornei-me uma artista de palco, do show, do entretenimento e isso me fez passar por todos sons e ritmos: forró, samba, eletrônica....

A que você atribui essa recepção de ''Confete e Serpentina''? Que elementos você destacaria nesse trabalho?

Esse disco é uma continuidade do trabalho que desenvolvo desde 2003 com o Maurício Bussab, do grupo Bojo, que me convidou para gravar um disco (''Agora''). O Bojo faz parte da nova cena independente que está movimentando o país inteiro. Já fui com eles tocar num festival na Alemanha. E o Maurício é um maestro da música eletrônica. Um cara muito inteligente e sofisticado. Eu sou mais ogro, mais carregadora de piano enquanto que ele tem a leveza das notas. Com o Bojo, o Maurício apimentou meu trabalho com eletrônica, mas não a eletrônica de pista, bate-estaca. O que eles fazem é música eletrônica popular brasileira.

Serviço
Quando - Hoje, 22h30
Onde - bar Valentino (Av. Faria Lima, 486), em Londrina
Quanto - R$ 12
Mais informações - (43) 3348-0791

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