"Irresistível Paixão", com George Clooney, chega às locadoras
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quarta-feira, 14 de abril de 1999
Por Luiz Carlos Merten 
São Paulo, 15 (AE) - Quando Steven Soderbergh foi sondado para dirigir "Irresistível Paixão", baseado no livro de Elmore Leonard, George Clooney já estava no projeto. Clooney poderia exercer seu direito de veto sobre o diretor. "Entendemo-nos maravilhosamente", conta Soderbergh, numa entrevista pelo telefone desde Los Angeles. "Irresistível Paixão" já está (desde quarta-feira) nas locadoras. É um belo programa. Não será de admirar se entrar nas próximas semanas para a lista dos mais retirados.
Soderbergh também contou que, ao ser contratado, Sandra Bullock estava sendo cotada para fazer a protagonista feminina. "Teria sido outro filme e temo que não tão bom", ele diz. Sandra recusou-se a fazer um teste. Foi a chance de Jennifer Lopez, a latina mais caliente de Hollywood, na atualidade. Jennifer fez o teste e foi aprovada entusiasticamente por Soderbergh e Clooney. "A química entre eles é muito interessante", observa o diretor. "Convencem ao transmitir sex-appeal".
"Irresistível Paixão" mostra Clooney como um ladrão sem sorte para fugir com o produto de seus roubos. Vai parar na cadeia. Ao fugir com a ajuda de amigos, leva uma policial no porta-malas do carro. Ela, a bela Jennifer, fica atraída pelo malandro. E mais é melhor não contar para não tirar a graça que é ver o filme.
É o primeiro projeto hollywoodiano do diretor. Depois que ganhou a Palma de Ouro por "Sexo, Mentiras e Videotape", Soderbergh embarcou numa carreira mais apreciada pelos críticos do que pelo público: "Kafka" foi um fracasso de bilheteria, o mesmo podendo dizer-se de "O Inventor de Ilusões". Nenhum filme de Soderbergh se assemelha ao anterior (ou ao posterior). É uma das características do cineasta. "Gosto de mudar, a repetição empobrece", ele diz. Seu modelo é John Huston, o cineasta que afirmava não possuir um estilo, adequando seu método às histórias que queria contar.
Soderbergh também é assim. "Há casos de grandes diretores que contaram sempre a mesma história, com pequenas variações; seria incapaz disto", ele conta. "Sou preguiçoso e preciso do estímulo de coisas sempre novas; é o meu desafio permanente". Lembra que o escritor Leonard esteve algumas vezes no set, acompanhando as filmagens. Conversaram bastante sobre o filme, mas o romancista absteve-se de dar sugestões. "O único conselho que me deu foi no sentido de que não me fixasse nas convenções da trama, pois elas não passam disto: convenções", lembra Soderbergh.
Ele estava de acordo com Leonard de que o melhor era concentrar-se nos personagens. "Não importa quão pequeno seja o papel, todos os personagens têm o seu momento na trama", diz o diretor, que conseguiu fugir ao estereótipo do cinemão misturando ação, humor e romance com cenas que realçam a sensualidade da dupla principal. O filme segue lições de Quentin Tarantino (Tempo de Violência) e Milcho Manchevski (Antes da Chuva) ao concentrar e dilatar o tempo. "Era uma das coisas agradáveis do projeto, essas brincadeiras que ele possibilita com o tempo", afirma o diretor.
Ele também concorda que trata de um tema que percorre sua obra: a necessidade que as pessoas sentem de usar máscaras para enfrentar a realidade. Mas ressalta: "Analiso-me há muito tempo; paro e recomeço; o que quero dizer é que nenhum diretor trabalha de forma totalmente consciente". Cabe ao público e, principalmente, aos críticos, fazer a análise da obra.
Produzido pela Universal, "Irresistível Paixão" é, de longe, o filme mais caro da carreira de Soderbergh. Ele diz que não sofreu pressão alguma. "O estúdio conhecia o meu trabalho, desde que me aprovaram, me deram carta branca". A única exigência era que ele cumprisse os prazos e orçamentos. "Isso eu sempre cumpro", salienta Soderbergh. O filme teve críticas excelentes, melhores que as bilheterias, que ficaram um pouco aquém do esperado.
"Espero que o vídeo ajude o público a redescobrir Irresistível Paixão", conclui o cineasta. Seu novo filme, com "Terence Stamp", é um "action drama" sobre um pai que só descobre a filha após a morte da garota. Há duas semanas, quando falou com a reportagem, Soderbergh preparava-se para ir a Paris mostrar o filme para o delegado-geral do Festival de Cannes, Gilles Jacob. "Pode ser que ele entre na competição, em maio", revela. SERVIÇO -"Irresistível Paixão" (Out of Sight). EUA, 1998. Direção de Steven Soderbergh. Colorido, 122 min.


