Irresistível Circo Místico
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quinta-feira, 20 de junho de 2002
Mauro Dias<br>Agência Estado 
São Paulo As trapezistas gêmeas, puras, virgens, levitam. O elenco anuncia a partida Voar, fugir como o rei dos ciganos quando junta os cobres seus ou como o mais pobre dos pobres dos pobres dos plebeus. O circo se vai. Ninguém dele se esquecerá.
A levitação das gêmeas e a canção Na Carreira, que tem duas frases (de sentido antagônico) reproduzidas acima, entre aspas, encerram o balé O Grande Circo Místico, que estréia hoje em São Paulo. Trata-se de uma remontagem. O espetáculo foi encomendado a Naum Alves de Souza, em 1982, pelo Balé Teatro Guaíra, de Curitiba, Paraná.
Naum é, desde sempre, um apaixonado pelo poema O Grande Circo Místico, do alagoano Jorge de Lima. A encomenda feita pelo Guaíra não fixava tema. Naum pensou logo no Circo (que já havia pensado em adaptar para teatro de bonecos). Convidou Edu Lobo e Chico Buarque para comporem a trilha sonora. A partir do poema, Naum traçou um roteiro, que serviu de orientação para os compositores.
A obra de Jorge de Lima trata poeticamente de uma dinastia circense austríaca. Por algum motivo, em seus versos a real família Knie (que viria a fundar, no início do século passado, o Circo Nacional Suíço) vira família Knieps. Naum também tomou liberdades, no roteiro. Edu Lobo e Chico criaram a trilha sonora quase paralela, aproveitando alguns personagens, criando outros.
A remontagem é, em tese, comemorativa dos 20 anos da montagem original. Mas, na verdade, o disco com a trilha sonora saiu em 1982 (com as canções intepretadas por gente como Gilberto Gil, Tim Maia, Zizi Possi, Jane Duboc, Gal Costa, etc). Por problemas diversos, o balé só estrearia no ano seguinte.
Problemas financeiros não houve na remontagem, que tem a Embratel como principal financiadora. O elenco conta com 33 bailarinos e a trupe, que viajará, em 70 dias, por pelo menos sete capitais, é de 50 pessoas. A nova coreografia tem assinatura de Luis Arrieta, e a coreografia aérea e acrobática (trata-se de um circo, afinal) é de Dani Lima. Mauro Zanatta supervisionou o trabalho dos clowns e a (mais conhecida como) carnavalesca Rosa Magalhães fez o figurino.
Edu escreveu novas peças instrumentais e manteve as dez canções originais (respeitando, em oito delas, as vozes originais). O espetáculo é longo mais de duas horas e, mesmo com falhas, plasticamente belíssimo. Ninguém é o mesmo depois que as gêmeas levitam e o circo parte.
Serviço
Temporada paulista do espetáculo O Grande Circo Místico. Músicas Chico Buarque e Edu Lobo. Direção cênica Mauro Zanatta. Coreografia Luis Arrieta. Coreografia aérea Dani Lima. Roteiro original Naum Alves de Souza. Baseado no poema homônimo de Jorge de Lima. De hoje a domingo, no Teatro Alfa, em São Paulo. Mais informações pelo telefone (11) 5693-4000.


