Irreconhecível Rodrigo Santoro
Rodrigo Santoro conseguiu aquilo que muitos atores do México para baixo apenas sonham. Aos 31 anos, o ator brasileiro desembarcou em Hollywood depois de uma rápida carreira em telenovelas da Rede Globo. Ainda que a princípio o desembarque tenha tido contramarchas.
Logo depois de interpretar - e muito bem, por sinal - ''Bicho de Sete Cabeças'' de Lais Bodanski, ''Abril Despedaçado'', de Walter Salles, e ''Carandiru'', de Hector Babenco, ele foi convocado para um pequeno papel em ''Simplesmente Amor'' e outro na segunda parte de ''As Panteras''. Nas duas procunciava apenas poucas palavras, mas o aspecto físico parecia ser tudo o que importava aos estúdios hollywoodianos.
Algo semelhante deve ter passado pela cabeça do diretor Baz Luhrmann, que o escolheu para atuar ao lado de Nicole Kidman na campanha do perfume Chanel No 5. Também ali não se ouvia a voz do ator. Que finalmente no ano passado deve ter achado que tanto silêncio tinha finalmente chegado ao fim quando foi chamado para interpretar um dos reis mais exuberantes da antiguidade, Xerxes I.
Dizem as maldades infográficas que o rapaz, enquanto continuava trabalhando em cinema e tevê no Brasil, leu tudo sobre história antiga que lhe caiu nas mãos. Mas quando se reuniu como diretor de ''300'', Zack Snyder, sentiu que tudo foi vão. O rei que interpreta é quase tão somente uma presença física recoberta de muita bijuteria e piercings, na trilha traçada pelas drag queens contemporâneas. E quando abre a boca, a sonoridade de seu vozeirão é completamente digitalizada.
Parece, no entanto, que a televisão americana está sendo um pouco mais generosa com o ator. Como se sabe, ele foi contratado para a terceira temporada da bem-sucedida ''Lost''. E que é melhor: falando... (C.E.L.J.)





