Irmãos disputam com violonista quarta eliminatória do Prêmio Eldorado
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segunda-feira, 06 de setembro de 1999
Por Antonio Gonçalves Filho 
São Paulo, 07 (AE) - Dois irmãos disputam amanhã (08), no Teatro Cultura Artística, a quarta eliminatória do mais prestigiado prêmio de música erudita do País, o Eldorado. A clarinetista Renata Menezes e o trompetista José Torres, seu irmão, enfrentam ainda um terceiro concorrente, o violonista Alexandre Moschella, que, a exemplo de Renata, participou da nona edição do prêmio, há dois anos.
Renata e José tocam na Sinfônica de Santos, onde nasceram. O trompetista é o irmão mais velho. Tem 27 anos, começou a estudar com o pai aos 8 anos e teve master classes com o americano Wynton Marsalis. A irmã Renata, um ano mais nova, também teve aulas com o pai, o clarinetista José de Souza Menezes. Como eles, o violonista paulistano Alexandre Moschella começou a aprender música em casa. A mãe era pianista.
Moschella será o primeiro a tocar. Ele selecionou a Suíte BWV 995 de Bach (que é a de número 3 para alaúde e de número 5 para violoncelo), a Sonata do espanhol Turina e a peça Ritmata, do brasileiro Edino Krieger. A passagem do barroco para a modernidade de Krieger, incluindo uma obra de caráter nacionalista como a de Turina, traduz o ecletismo de Moschella. "Com o Duo Costa, costumava tocar de Piazzolla a Rodrigo", lembra, observando que esse repertório ajudou a conquistar um público leigo não familiarizado com salas de concerto.
"As sociedades de concerto não costumam incluir violonistas em suas temporadas e um prêmio como o Eldorado serve para projetar músicos que se dedicam ao instrumento", diz, justificando sua presença na décima edição. Renata Menezes concorda. Mais importante do que ganhar é participar. Generosa, ela concede a vitória ao irmão. "Sou mais nova e posso concorrer ainda mais uma vez", brinca.
Ela acabou de gravar com o "Opus Art Trio" um disco com obras românticas alemãs. A pianista do trio, Denise Machado, vai acompanhar Renata e seu irmão na noite desta quarta-feira. Do programa, que tem obras de Brahms, Ronaldo Miranda e Debussy, ela destaca as cinco peças para clarineta solo de William Smith, que alternam movimentos lentos e nervosos.
Como ela, seu irmão José Torres também gosta de música contemporânea. Selecionou peças que integram o repertório de concursos internacionais (de Honegger e Enesco), mas deve fazer do estudo de Camargo Guarnieri um veículo de sua técnica. "Não tenho predileção por nenhum período, toco dos barrocos ao jazz." Serviço - 10.º Prêmio Eldorado de Música. Amanhã (08), às 19 horas. Grátis (retirar ingressos com antecedência). Teatro Cultura Artística - Sala Rubens Sverner. Rua Nestor Pestana, 196
tel. 258-3616.


