Os irmãos e chargistas Chico e Paulo Caruso têm feito sucesso com suas caricaturas musicais, acompanhados por um time da pesada: Luís Fernando Veríssimo e Aroeira, no saxofone; Fernando Barros, no baixo; Adriano Busko, na bateria, e Voluzi Vidal, no vocal de apoio. O resultado dessa união é um CD com 14 músicas, intitulado ‘‘Pra Seu Governo’’ e que resgata o humor político.
A dupla já se apresenta há um bom tempo em bares e em convenções e se encarrega de fazer as letras. Entre as faixas estão ‘‘Presidente Mulatinho’’, ‘‘Rock da Roseane’’ e ‘‘Cem Anos de Corrupção’’. O grupo passa, em média, cinco horas gravando em estúdio, segundo Chico, e a matéria-prima das 14 faixas é a realidade brasileira - de ontem e de hoje.
Paulo, chargista da revista ‘‘Istoɒ’ e do ‘‘Jornal do Brasil’’, toca piano e guitarra, além de soltar a voz com o irmão gêmeo. Veríssimo é colunista do JB e de ‘‘O Estado de S. Paulo’’, Aroeira faz charges para ‘‘O Dia’’, Voluzi é arquiteta e Busko é o que se pode chamar de ‘‘ovelha branca’’, por se tratar do único músico profissional da banda, batizada com o nome de Conjunto Nacional.
Esse gênero já foi mais explorado em outros tempos. Os pioneiros foram a dupla Alvarenga e Ranchinho, nos tempos de Getúlio, Adhemar de Barros e Jânio Quadros, e Juca Chaves, que embora se considere mais um menestrel do que um humorista, fez sucesso com seu ‘‘Presidente Bossa Nova’’, em homenagem a Juscelino Kubitschek, entre outras composições de fundo político. Mais recentemente, Gabriel, o Pensador, e Gaúcho da Fronteira brincaram com o ex-presidente Fernando Collor de Mello.
Juca diz que fazia sátiras políticas num tempo em que as pessoas não sabiam o que estava acontecendo - e hoje sabem. Na era Collor, compôs a engraçada ‘‘Caça aos Fantasmas’’. Ele garante que fez sátiras de quase todos os presidentes e nenhum deles reclamou. Da mesma forma, também o humor inteligente dos irmãos Caruso pode até incomodar os ‘‘homenageados’’, mas eles próprios não conseguem conter o riso.(C.A./Agência Estado)

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