Berlim - O Uso de Ouro, prêmio máximo do Festival Internacional de Cinema de Berlim, foi conquistado no sábado pelo filme "Taxi", do dissidente iraniano Jafar Panahi, ausente no evento porque está proibido de deixar seu país. O presidente do júri, o diretor americano Darren Aronofsky, saudou "a carta de amor ao cinema" do realizador iraniano.
Já o Grande Prêmio do júri do festival foi para "El Club", do chileno Pablo Larraín. O filme, que denuncia os mecanismos de acobertamento dos casos de pedofilia pela Igreja católica, conta a história de um grupo de padres com passado obscuro expulsos para uma casa de oração e penitência. "Muita gente no mundo mata em nome de Deus e espero que isso acabe", declarou Larraín ao receber a estatueta.
Na categoria direção, o júri optou por conceder dois Ursos de Prata. Um foi para o romeno Radu Jude, por "Aferim", um ‘road movie’ em preto e branco, e o outro para a polonesa Malgorzata Szumowska, por "Body", que, através de um médico legista, faz uma reflexão sobre o corpo e o espírito.
O Urso de Prata de melhor ator e atriz foram conquistados, respectivamente, por para Tom Courtenay e Charlotte Rampling, ambos por "45 Years". Os dois atores britânicos vivem Kate e Geoff, um casal que vai comemorar os 45 anos de união, mas um evento inesperado abala as certezas da relação.
As produções latino-americanas também levaram quatro prêmios importantes: o Urso de Prata para "El Club", o Urso de Prata de melhor roteiro para o também chileno Patricio Guzmán, o Urso de Prata especial para "Ixcanul", do guatemalteco Jayro Bustamante, e um prêmio especial para um primeiro longa-metragem para o mexicano Gabriel Ripstein, pelo filme "600 millas".

Subversivo

O diretor Jafar Panahi, de 54 anos, é celebrado pelos cinéfilos em todo o mundo, mas está proibido de realizar sua atividade no Irã, onde o regime considera subversiva sua visão crítica da sociedade. Panahi foi detido por causa de um documentário que estava filmando sobre os distúrbios a respeito da polêmica eleição presidencial de 2009 e foi proibido de fazer novos filmes por 20 anos "por atentado contra a segurança do Estado e ato de propaganda contra o regime".
"Taxi" é o terceiro filme que Panahi dirige após a condenação. Em "Taxi", Panahi oferece suas impressões da Teerã contemporânea através das janelas de um carro. Cada passageiro que ele transporta apresenta uma história.
O filme é o terceiro dirigido por Panahi em desafio às autoridades, depois de "Isto não é um filme" e "Cortinas Fechadas". Condenado a seis anos de prisão e 20 anos de proibição de fazer cinema ou viajar, o cineasta conseguiu recuperar uma liberdade precária que lhe permite filmar clandestinamente, mas não sair do país.
Panahi ganhou fama como um observador comprometido da sociedade. Representante da "nova onda" do cinema iraniano, ao lado de Abbas Kiarostmi, de quem foi assistente, Panahi recebeu vários prêmios em festivais internacionais por filmes como "O Balão Branco" e "O Círculo".

PRÊMIO DO PÚBLICO


O longa brasileiro "Que Horas Ela Volta?", da diretora Anna Muylaert, ganhou o prêmio do público na categoria melhor filme de ficção na mostra Panorama no Festival de Berlim. Em 2014, o filme "Hoje Eu Quero Voltar Sozinho", de Daniel Ribeiro, ficou em segundo lugar na mesma categoria. Ao todo, foram cerca de 31.200 votos do público ao longo da mostra Panorama, que reuniu 52 filmes de 38 países.
O prêmio do público para melhor documentário foi para o britâncio "Tell Spring Not To Come This Year", de Saeed Taji Farouky, Michael McEvoy. "Que Horas Ela Volta?" ganhou o prêmio de melhor interpretação feminina, para Regina Casé, no Sundance Festival.

mockup