Até quando será possível quebrar os recordes humanos nas olimpíadas? O que leva os jovens a se desinteressarem dos estudos? O que é psicose? Quais os principais sintomas de bulimia? Por que é tão difícil abandonar as drogas? E o uso de placebo, é eficiente?
Munidos desses questionamentos, 36 alunos do 1º e 2º anos do ensino médio do Colégio Universitário mergulharam no mundo da pesquisa científica e redigiram nove artigos que viraram uma revista, lançada na última quarta-feira, e que será distribuída para os alunos da instituição.
Participantes do Grupo de Estudos Avançados (GEA), eles experimentaram pela primeira vez como é fazer uma pesquisa dentro da metodologia científica, já pensando na futura vida acadêmica, que incluiu até resumo do trabalho em inglês. ''Foi muito interessante aprender pesquisar dessa forma e já vamos entrar na faculdade tendo uma boa noção do que seja isso'', comentou o aluno Guilherme Mendes da Silva, 15 anos, que integrou o grupo de pesquisa sobre bulimia. Ele também criticou a forma como a mídia aborda os assuntos que foram pesquisados: ''São assuntos polêmicos, mas apresentados com muita superficialidade. Deixam muitas dúvidas e decidimos pesquisá-los para entendê-los de uma melhor forma.''
A cada bimestre 40 alunos que tiveram bom desempenho escolar são convidados a integrar esse trabalho diferenciado que não vale nota, mas promove uma vivência diferente da sala de aula. Realizado uma vez por semana, no contraturno, os encontros de estudos avançados são uma oportunidade de aprender sobre assuntos que fogem do conteúdo formal do currículo.
As pesquisas editadas nesse primeiro número da revista foram feitas no ano passado. Os temas, quase todos da área médica, foram selecionados pelos próprios alunos. O projeto incluiu encontros com profissionais da área, além de uma visita dirigida à Biblioteca Central da UEL. ''Ela é bem maior do que a que temos aqui e ali pudemos conhecer um acervo importante para esse tipo de trabalho'', afirmou o aluno João Vitor Maeoka, 15 anos, que pesquisou sobre os limites do corpo. Já Lucas Seiti Takemura, que estudou placebos, destacou que uma das coisas mais importantes na pesquisa científica é saber selecionar as informações: ''É preciso ter fontes de consulta confiáveis'', alertou. O colega Lucas Guerli, 15 anos, que teve o uso das drogas como tema, acredita que a empreitada pode contar pontos, mais tarde, no currículo profissional.
Para os alunos Thaís Elisa Neves Reis, 16 anos, e Rajiv Barros, 17 anos - que participaram do GEA no ano passado e agora estão no 3º ano do ensino médio -, a experiência valeu a pena e vai ser um diferencial importante quando ingressarem na universidade. ''Agora não dá mais para a gente participar porque não sobra tempo, mas foi muito bom, embora extremamente trabalhoso'', pontuou Thaís Elisa, que pretende cursar medicina. Já Barros, que quer prestar vestibular para engenharia mecânica, está seguro que ter aprendido essa ferramenta de pesquisa irá facilitar a redação dos seus trabalhos acadêmicos futuros.
A ideia de redigir artigos científicos de assuntos diversos selecionados pelos alunos foi sugestão do professor Bruno Rangel Silvione, da disciplina de Geografia e coordenador do GEA. Até então, os estudos avançados consistiam em um aprofundamento de assuntos vistos em sala de aula. Procurando se diferenciar a cada bimestre, atualmente o foco são as pesquisas de campo.
''Para a realização dos artigos, partimos de situações-problemas levando em consideração os conceitos da metodologia científica, que é novidade para o aluno que ainda não ingressou na universidade'', ressaltou Silvione. ''O objetivo é que saiam daqui melhor preparados para a vida acadêmica'', acrescentou. Sobre o enfoque atual do GEA, do trabalho de campo, o coordenador frisou que o considera fundamental para a construção do conhecimento. ''É preciso visualizar na prática conceitos teóricos transmitidos em sala de aula para dar sentido a eles.''

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