INVESTINDO NO FUTURO - Um salto de qualidade na educação
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segunda-feira, 01 de agosto de 2011
Ana Paula Nascimento <br>Reportagem Local 
Em 2005, a pacata cidade de Nova América da Colina (32 km ao sul de Cornélio Procópio) ganhou repercussão nacional ao atingir o pior índice educacional do Paraná com a nota de 1.2 no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), implantado naquele ano pelo Ministério da Educação (MEC). Através da aplicação de provas de Português e Matemática junto aos alunos da quarta série, um raio X desolador de que a área de educação não estava no caminho certo. ''Foi assustador receber aquela notícia em rede nacional antes mesmo do comunicado oficial do MEC. Recebemos até ligações de pessoas que moram fora do país perguntando o que estava acontecendo'', lembra a secretária de educação Eliana Sanches, que na época era diretora da escola avaliada.
Mas como ''há males que vêm para o bem'', o péssimo desempenho acabou gerando uma mobilização na cidade que uniu os poderes público e privado, envolvendo as duas maiores empresas da região: o Aguativa Golf Resort e a Destilaria Americanas. Essa parceria resultou em investimentos para a implantação do Sistema COC de ensino - através do Núcleo de Apoio à Municipalização do Ensino (Name) -, o incentivo à formação continuada dos professores (apenas 65% deles tinham formação superior) e até o financiamento de bolsas de pós-graduação. Convênios com a Unopar (educação a distância) e a faculdade de pedagogia da cidade também foram firmados. Outra consequência positiva para os professores foi a melhora no plano de carreira e, neste ano, o reajuste salarial que chegou a 22%, incluindo o aumento do governo federal e do piso salarial do município.
Atualmente 99% dos professores têm ensino superior e as 415 crianças atendidas do maternal à quarta série (ou quinto ano) estudam com um material didático de qualidade. ''É um material excelente, do nível de escola particular; bem informativo e atualizado, o que é um incentivo a mais para nossas crianças'', comenta Ana da Luz Setni Rogatti, diretora da Escola Municipal Francisco Escorsin, que ocupa o mesmo prédio onde funciona o Colégio Estadual Hugo Simas. Aliás, ter uma sede própria para a escola municipal é um desejo antigo da comunidade escolar.
Sem espaço suficiente para suas atividades, os alunos contam com uma biblioteca precária e as aulas de reforço, no contraturno, precisam ser realizadas em salas compartilhadas. Até o laboratório de informática deixou de ser instalado por falta de sala. Segundo a secretária de educação, o terreno para a construção da escola já está disponibilizado, mas ainda falta o apoio do MEC, que no último parecer afirmou que não haveria ''demanda'' para a nova edificação. Ela pretende insistir no pedido e entregar a nova escola até o final do ano que vem.
Mesmo ainda com algumas dificuldades, o avanço na educação tem sido crescente no teste que é realizado a cada dois anos. Após o fiasco de 2005 (com o índice de 1.2 no Ideb), o município atingiu em 2007 a marca de 4.4, sendo que em 2009 saltou para 5.5 - superando a média nacional que é de 4.6 e quase atingindo a média 6, meta do governo federal para 2021. A média 6 refere-se à obtida pelos países ricos que compõem a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).
''Agora estamos nos preparando para as provas que vão acontecer em outubro e aplicamos simulados para treinar a questão do tempo de duração das provas. Temos um trabalho com uma psicopedagoga que envolve até a questão psicológica dos alunos, já que são avaliados por pessoas que vêm de fora. A nossa expectativa é continuarmos indo bem'', pontua a diretora. ''Outro fator importante é que as provas exigem muita interpretação, leitura de mundo e raciocínio rápido, e não fórmulas prontas'', avalia a secretária Eliana.
Professora há 15 anos, Maria Imaculada Alves Cardoso recorda o ''chacoalhão'' que foi receber a notícia do Ideb de 2005. ''Foi um impacto para o Brasil todo, mas nós acabamos revertendo a situação. No início, foi desafiador repensar a nossa forma de trabalhar e a adaptação ao novo material didático e agora, além dos professores, os pais estão mais participativos. Uma escola não anda sozinha'', conclui.


