A vida corre tão bem para Angélica que a apresentadora assume que nem tem coragem de fazer pedidos para o ano que vem. Aos 36 anos, 23 deles dedicados à televisão, a loura não esconde a satisfação profissional e financeira. Além de estar no ar de segunda a sábado em dois programas da Globo - ela comanda o ''Vídeo Game'', dentro do ''Vídeo Show'', e o semanal ''Estrelas''.

''Se eu quiser me dedicar à família, sei que posso. Fiquei trabalhando em Angra por uma semana e levei os meninos. Na quinta-feira, pegamos um helicóptero e fomos para casa. Vi televisão, fiz minha drenagem linfática e dormi em casa. Acordei, levei meu filho à escola e voltei para Angra de helicóptero, para continuar gravando'', descreve, com naturalidade.

A apresentadora só tem uma queixa a respeito de seu programa: como entra na grade em um horário optativo, em alguns estados ele é substituído por programação local.

Você é uma celebridade e comanda um programa na Globo que se propõe a mostrar os famosos em sua vida pessoal. Como você lida com essa situação, já que a maioria dos artistas jura tentar preservar a intimidade?
A gente entra um pouco nas questões pessoais dos convidados, mas elas ficam livres para falarem sobre o que quiserem. Esse é o meu papel: deixar as pessoas naturais, dar segurança para que falem coisas que não falariam em outros lugares, mas sempre com o maior respeito. Você disse bem, eu também estou do outro lado, fica complicado. Por isso mesmo a gente deixa uma proposta aberta, alguns convidados sugerem uma pauta da qual gostariam de participar, a gente vai levando. Mas é óbvio que falamos do mundo das estrelas e as pessoas de casa querem ver, saber mais sobre elas.

Você já recebeu críticas por fazer um programa assim sendo famosa também?

Acho que o meu programa funciona como determinadas revistas que fazem matérias produzidas. Por exemplo, com alguém surfando. Mas a nossa diferença é que aqui rola movimento, temos um cuidado maior. Não é parar e fazer fotos. Nesses quatro anos, começamos com todo mundo meio ''o que é isso? Vou participar?'', mas hoje os convidados já ficam mais relaxados. E o nosso programa depende disso. Não é como o ''Caldeirão do Huck'', que depende do público. A gente depende do artista.

Você precisa de um cuidado maior, já que lida o tempo todo com o ego dos seus próprios colegas. Já se acostumou com isso?

Acho que é um dos meus papéis e, coincidentemente, uma coisa que sempre soube fazer. Tenho sensibilidade para captar a energia do outro e entender o que ele quer. Não adianta chegar ali preparada, engessada, seja como uma estrela também ou com uma pauta, porque tudo pode mudar. Depende do humor da pessoa, do quanto está aberta, de muitas coisas. Às vezes, não rende como achei. Em outras, rende muito mais. Mas, na maioria das vezes, dá certo. Não peço nada além do que os convidados querem ou podem fazer.

›É difícil encontrar um limite entre o que é invasivo e o que pode deixar o programa com cara institucional, apenas levantando a imagem dos artistas da própria Globo?

Quase todos os convidados são da emissora, isso é um fato. A gente já fez matérias para mostrar o lado humano de algumas pessoas e, às vezes, fica um pouco duro. Mas, de alguma forma, os convidados ficam à vontade ali e rola algo a mais. São muitos anos que já tenho no outro lado. Fica meio no automático, eu já imagino o que as pessoas estão sentindo ali. Há 23 anos trabalho na tevê. Quando passo de entrevistada a entrevistadora, na maioria das vezes, já sei até onde aquela pessoa vai gostar que eu chegue, até onde ela vai deixar que eu chegue. Posso até tentar forçar uma barra em determinadas situações, mas prefiro não fazer. Porque sei como é estar do outro lado. Tem horas que chega uma pergunta no roteiro que não faço, não me sinto confortável. Até porque o roteiro é feito por jornalistas.
E como ficam as entrevistas?

O clima é meio de papo de colegas mesmo. Não tenho a obrigação de conseguir um furo de reportagem. Nem de escrever uma matéria para uma revista. Tenho uma equipe maravilhosa produzindo o roteiro, outra fazendo os cenários, meu trabalho é bem mais leve que o de um jornalista.

Você completou 36 anos e já tem mais de 20 de carreira. Como lida com essa passagem do tempo?

Muito bem. Isso tudo me dá uma história e uma tranquilidade para, hoje em dia, não ter vaidade. Posso dividir meu tempo com outras estrelas, deixar que elas falem e me divertir com isso. Me sinto em casa e não preciso ter pretensões para crescer. Estou satisfeita com a minha vida. É um privilégio chegar aos 36 anos com essa tranquilidade profissional e financeira.

O que você espera do ''Estrelas'' em 2010? Alguma mudança prevista ou algo que você quisesse tirar ou incluir?

Devemos colocar dramaturgia. Surgiu a ideia de não só falar com os convidados, mas de contracenar também. Já fiz muito isso no ''Vídeo Show'' e na Manchete, acho que é uma marca minha e que pode dar certo. Muitos fãs mandam mensagens dizendo que o programa não passa nas cidades deles. Eu gostaria que o ''Estrelas'' passasse em todos os lugares.

- Estrelas - Globo, Sábado, 13h40
- Vídeo Show - Globo, Segunda a sexta, 13h45

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