Apesar dos 15 anos de moda, a estilista Eliza Conde só estreou agora nas passarelas, durante o quarto dia do Fashion Rio. Além do respaldo dessa década e meia de experiência no mercado, Eliza também tem no currículo a passagem pelo ateliê do lendário Georges Henri, uma das referências da moda brasileira nos anos 1980. Em entrevista pouco antes do desfile, a estilista dizia que os longos são longos, longos e os curtos são curtos, curtos. Até soa como redundância, mas explica bem não só a própria coleção como de boa parte das criações vistas até agora na temporada outono-inverno.
No evento carioca tudo tem sido superlativo. As proporções estão nos limites dos extremos e se contrapõem nas justíssimas leggings e nos volumosos tricôs. As bolsas estão gigantescas, sem exceções. Só que a onda de aumentativos não atinge os materiais utilizados. É que para o nosso inverno tropicaliente, nada combina menos do que peças pesadíssimas.
De olho em pára-quedas e aviadores, o londrinense Henry Alavez, coordenador de estilo da TNG, ''inflou'' calças e casacos e turbinou as bolsas, que estão cada vez generosas no tamanho. Bem bacana a combinação de cores nas diferentes faixas de tecidos que se unem em camisetas e jaquetas. E também se misturam para formar o camuflado da sarja. A versão mais escura aparece no paletó ajustado do ator Reynaldo Gianecchini. Belíssimo, por sinal.
Mas se Gianecchini é todo esse exagero de beleza, na passarela da Sta. Ephigênia, o superlativo veio em forma de altíssimas plataformas. Inspiradas nos absurdos sapatos venezianos do século 16, as ''chopines'', de 20 centímetros de altura. A tensão das modelos passou para a platéia, preocupada com possíveis tombos.
Bem mais fácil de ver e usar, a coleção outono-inverno da Cantão chega para descomplicar o caos urbano. Os shorts e vestidos balonês têm arremate diferenciado e por isso estão sendo chamados de bubble. Ou melhor, bolha em bom português.
O Fashion Rio termina hoje. O sol não apareceu durante toda a semana e a previsão de hoje é de furacão no Rio de Janeiro. Mas nada de tempestades naturais. O tumulto será por conta de Gisele Bundchen, estrela do último desfile.
A jornalista Karla Matida viajou ao Rio de Janeiro a convite da organização do evento

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