Josoé de CarvalhoReginaldo Da Vinci: ‘‘Quando era criança gostava de desmontar tudo para ver como funcionava’’Ele faz jus ao sobrenome famoso. É o londrinense Reginaldo Da Vinci Correia, uma destas figuras que adoram remexer em objetos, desenhar projetos e pôr idéias malucas para funcionar. Sua invenção mais importante é uma boa alternativa para os pilotos de parapente - espécie de pára-quedas que além de plainar permite subir e percorrer distâncias no ar -, que não moram em regiões montanhosas.
Trata-se de uma máquina, movida a gasolina, que impulsiona o pára-quedistas para cima fazendo com que o corpo permaneça suspenso o tempo necessário até plainar sozinho. No modo tradicional, os praticantes de parapente têm que saltar de uma altura de, no mínimo, 50 metros de altura para conseguir o mesmo efeito.
Piloto comercial há 24 anos, Da Vinci soma mais de 14 mil horas de vôo. Talvez por isso, seu ‘‘sonho de Ícaro’’ tenha se estendido por oito anos até que, ao lado de seu companheiro Luiz Folkini, pôs a única máquina voadora deste tipo no Brasil no ar. O aparelho, construído com alumínio aeronáutico, é desmontável e se acopla nas costas do piloto. A decolagem com este equipamento, que só tem similares importados, necessita de um espaço mínimo de quatro metros.
O projeto consumiu cerca de 12 mil reais. ‘‘Construímos com a cara e com a coragem’’, diz orgulhoso esse ‘‘professor pardal’’ ao se referir à falta de patrocínio. Com a máquina voadora de Reginaldo - que pesa cerca de 30 quilos - o piloto alcança até 4 mil pés, altura média atingida por ultraleves. ‘‘É um vôo panorâmico para quem gosta de estar perto da natureza’’- diz ele.
O equipamento já foi homologado pelo DAC (Departamento de Aviação Civil) e o piloto precisa ser diplomado através do curso de ultraleves, pois o aparelho se encaixa na forma de aviação primária motorizada. Da Vinci e Folkini já construíram uma segunda versão do aparelho com rodas que decola numa pista de 6 metros.
Inspiração noturna - Os inventos de Da Vinci são consequência natural da curiosidade que começou na infância. ‘‘Quando era criança gostava de desmontar tudo para ver como funcionava’’- lembra. Entre as idéias que deram certo estão as dobradiças para hashis (pauzinhos usados pelos orientais nas refeições), indicadas para iniciantes, quebra-cabeças e uma máquina para níqueis que facilita o troco em estabelecimentos comerciais.
Mas o inquieto inventor ressalta que muitos de seus projetos, como a lancha com aerodinâmica de avião e o aparelho para parapente biplace (para duas pessoas) ainda não saíram do papel. ‘‘Tem noites em que eu acordo e começo a desenhar a esmo’’- afirma.
O inventor conta que o nome curioso não é de família, mas idéia do pai que costumava homenagear os grande nomes da história. É irmão de Rafael Sanzio (pintor renascentista) e Júlio César (Imperador de Roma). ‘‘Quando meu filho nasceu, dei o nome de Leonardo Da Vinci’’- conta Reginaldo.

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