ReproduçãoCourtney Love: perseguida pelo passado‘‘Kurt and Courtney’’, o documentário que Courtney Love não quer que o mundo veja, foi exibido com sucesso em uma mostra paralela ao Sundance Film Festival e já tem várias propostas de distribuidores norte-americanos. O trabalho, dirigido pelo jornalista Nick Broomfield, teve sua exibição vetada do evento depois que os advogados da cantora e atriz pressionaram o ator Robert Redford - organizador do Sundance. Eles alegaram que há problemas pendentes quanto aos direitos autorais das músicas do Nirvana e do Hole que aparecem no documentário.
O que Courtney quer, na verdade, é evitar a exibição do filme por causa do conteúdo: a história se baseia no início da carreira de Kurt Cobain e levanta suspeitas de que ela teria envolvimento na morte do marido. O músico, que morreu em consequência de um tiro na cabeça em 1994, poderia ter sido assassinado, de acordo com teorias que usam como base um depoimento do pai de Courtney, Hank Harrison. A cantora é brigada com ele, que já lançou dois livros sobre a relação do casal, incluindo um que se chama ‘‘Who Killed Kurt Cobain?’’.
A tentativa de proibição não começou no Sundance. Courtney já havia pressionado Broomfield durante a produção do documentário, tendo conseguido fazer com que o canal de televisão Showtime - de propriedade da mesma holding da MTV - desistisse de patrocinar o trabalho. Em vários trechos do filme, o próprio diretor dá uma de paparazzo e tenta correr atrás da cantora para conseguir entrevistas. Uma delas aconteceu em um jantar beneficente onde ela estava defendendo a liberdade de expressão.
Suspeitas Courtney tem motivos para querer abafar o caso. Além das acusações de seu pai, há o depoimento de um detetive particular, chamado Tom Grant, que havia sido contratado por ela para investigar o sumiço de Cobain de uma clínica de reabilitação. Ele acredita que o músico estava tão drogado que não poderia ter atirado contra a própria cabeça. Há também um roqueiro apelidado de El Duce que diz ter recebido uma oferta de US$ 50 mil dela para matar o músico. El Duce morreu depois em circunstâncias pouco claras. Uma ex-babá afirma que ‘‘se o músico não foi assassinado, ele foi induzido a se matar’’. Mas, apesar de explorar diversas teorias pouco prováveis, o diretor acaba reconhecendo que não chegou a nenhuma conlusão no fim do ‘‘Kurt and Courtney’’.
Mas o filme não fica apenas fazendo sensacionalismo. Broomfield conseguiu reunir entrevistas raras de Cobain e depoimentos de familiares, em que ele é descrito como um adolescente triste, mas com talento para a música. Uma tia dele, chamada Mary, mostra fitas com gravações de diversas épocas. Há ainda a participação de amigos e ex-namorados dos dois.
A tentativa de proibição do documentário só serviu para atrair mais atenção para o caso. Cerca de 200 distribuidores, jornalistas e curiosos fizeram filas na porta de um cinema em Park City onde a sessão semi-secreta aconteceu na madrugada de segunda-feira. Para evitar problemas, Broomfield cortou as cenas em que as músicas do Hole e do Nirvana apareciam. Nenhum negócio foi fechado até agora, mas os advogados de Courtney estão guardando suas forças para pressionar o estúdio que adquirir os direitos.

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