INTRODUÇÃO À MÚSICA - Crianças no ritmo e no tom
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segunda-feira, 12 de outubro de 2015
Marian Trigueiros<br>Reportagem Local 
Um a um, alunos de escolas municipais de Londrina iam ocupando lugares do Cine Com-Tour/UEL. Sem saber ao certo o que aconteceria, estavam prestes a presenciar um concerto da Orquestra Sinfônica da Universidade Estadual de Londrina (Osuel). Ansiosos, os olhos denunciavam a curiosidade dos pequenos. Muitos nunca tinham visto uma formação dessas de perto. Outros sequer tinham entrado num teatro. A visita faz parte do projeto "Concertos Didáticos: ações pedagógicas voltadas à formação de público", realizado pela Casa de Cultura da UEL, com apoio da Associação de Amigos e Apoiadores da Osuel e Secretaria Municipal de Educação que acontece ao longo do ano. Em 2015, serão ao todo doze apresentações para dezenas de escolas, com cerca de 200 alunos do 1º ao 5º ano participantes em cada concerto.
Este projeto existe desde o início da década de 90 e, durante anos, as crianças iam ao Teatro Ouro Verde. Por diversos fatores, sobretudo financeiro, havia uma dificuldade de deslocamento desses estudantes. "Então, para que o projeto não fosse extinto, durante os últimos anos, os músicos estavam indo às escolas, até mesmo pela falta do espaço cultural. Este ano, contudo, reformulamos a iniciativa e, com parcerias, resgatamos a proposta de trazer as crianças ao teatro para que tivessem toda a experiência de um concerto: desde a entrada no espaço, sentar nas cadeiras, à apresentação. Isso porque nosso objetivo é aproximar esse universo deles e, ao mesmo tempo, formar o público", explica Cleusa Cacione, diretora da Casa de Cultura.
Ao contrário das noites de gala, em que os músicos vestem-se com trajes requintados, o ambiente era bem informal. Tudo pensando propositalmente, a fim de quebrar qualquer resistência e estranhamento com relação à música erudita. Antes mesmo da apresentação, o maestro Alessandro Sangiorgi cumprimentava as crianças que chegavam. Os músicos, também espalhados pelo local, reforçavam a ideia de proximidade com o público infantil. O maestro acredita que esse detalhe é uma forma importante de iniciar o contato com essas crianças. "Isso também contribui para que não pensem que é algo de outro mundo e percam o preconceito de que é música chata."
Além do ambiente informal, o maestro diz que a interação e escolha do repertório - "Pedro e o Lobo", do compositor russo Sergei Prokofiev - é fundamental para essa aproximação. "Esta obra, especificamente, é uma das peças mais tocadas no mundo e conhecidas do autor, que escreveu tanto a música quanto o texto da história. É uma obra erudita, mas voltada ao público infantil." Na peça, cada instrumento representa um personagem da história. O concerto inclui ainda a "Sinfonia dos Brinquedos, Dó Maior", de Franz Joseph Haydn; uma composição simples e alegre, que visa entreter o público. Nesta obra, além das cordas, são utilizados instrumentos de brinquedo, como cuco, matraca, tambor, trompete, passarinho.
Já a peça principal cativa pela narração realizada durante a execução da música (feita por Hylea Ferraz) e pela representatividade de cada instrumento. "A flauta interpreta o passarinho, a clarineta é o gato, o oboé a pata, o fagote é o avô, os tímpanos são os caçadores, as trompas são o lobo, as cordas interpretam o menino Pedro." Antes do início da história, as crianças são apresentadas a cada instrumento para que estejam familiarizadas ao timbre durante a apresentação e reconheçam a participação de cada um na história. "A junção do som dos instrumentos, da melodia leve, da narração, enfim, toda a atmosfera 'prende' a atenção das crianças de maneira que elas ficam vidradas. Não preciso nem pedir silêncio", conta Sangiorgi.
Este ano, além do retorno ao teatro, o projeto tem uma novidade: uma cartilha toda ilustrada que explica de forma pedagógica a função do maestro e o nome de todos os instrumentos que compõem uma orquestra. "Os alunos saem daqui com uma ferramenta a mais. Como o material é ilustrado, fica ainda mais fácil de memorizar o que viram na apresentação", diz.
Apesar de o concerto ter apenas quarenta minutos, para ele, é o tempo suficiente para que novos apreciadores ou, até mesmo, novos músicos sejam despertados. "Vejo que muitos saem regendo, imitando os movimentos dos músicos. Contribui, ainda, para a formação cultural da criança."
Professora regente do 3º ano, Tânia Preto, da Escola Municipal Leonor Maestri de Held, diz que esta é uma oportunidade das crianças conhecerem uma formação orquestral, bem como despertar o gosto pela música erudita. "Eles estão acostumados apenas à música contemporânea, que possui letra e melodia cantada. Grande parte dos alunos nunca viu uma formação ou ouviu música clássica. Esse contato permite que ampliem seus conhecimentos e despertem a curiosidade. No futuro, teremos apreciadores e, por que não músicos?", sugere.


