Com a morte do vice, o presidente dos Estados Unidos, Jackson Evans (Jeff Bridges), parte para uma dura eleição. Para seu partido o Democrata o melhor nome é Jack Hathaway, um governador agora favorito da mídia depois de um ato de bravura: a tentativa (inútil mas devidamente registrada) de salvamento de uma motorista que se afogava depois de um acidente. Mas para o presidente Evans, que desconfia das intenções do candidato, a escolha é Laine Hanson (Joan Allen), mais afinada com seu pensamento liberal. Ela tem antecedentes que atestam retidão, independência e fidelidade a princípios, como desafiar um dia o pai republicano e mudar de partido. Também foi uma das vozes que se opôs ao julgamento político de Clinton, a quem considerava ''responsável mas não culpado''. Mas senadora vai ter que enfrentar uma comissão conservadora do Congresso que a vincula a sessões de sexo grupal em seus tempos de universitária.
Essa é a linha central do argumento de ''A Conspiração'', um thriller entre quatro paredes capaz de segurar o espectador da primeira à ultima imagem. O filme envereda por um jogo de estratégias que evoluem de um e de outro lado, fixando especial atenção no embate entre um implacável e perverso legislador (Gary Oldman, em risco de estereotipagem over) e um jovem parlamentar rigoroso mas honesto, personagem com a medida certa de Christian Slater. E embora o diretor Rod Lurie não seja exatamente um exímio condutor capaz de desviar de perigosos clichês, a habilidade na execução e o ritmo imprimidos à ação são elementos capazes de criar e manter envolvente tensão dramática. Somente ao final as coisas são equivocadamente encaminhadas, quando começam a avolumar-se as concessões destinadas a aplacar a consciência do público, abrindo caminho para o bem-intencionado sermão progressista.
Se tais ''liberdades'' não comprometem todo o conjunto é porque ''A Conspiração'' oferece uma visão bastante verossímil das intrigas políticas e porque acumula acertos no momento de descrever personagens. Joan Allen, em papel escrito especialmente para ela, não somente não decepciona como permite demonstrar até que ponto é capaz de transmitir um compromisso interior. E Jeff Bridges está ótimo como o presidente lúcido, pragmático, comilão e dono de notável senso de humor.

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