Intrépida Trupe abre Festival de Teatro de Curitba com direito a efeitos "especiais" de raios e trovões
Intrépida Trupe abre Festival de Teatro de Curitba com direito a efeitos "especiais" de raios e trovões17/Mar, 15:06 Por Beth Néspoli Enviada especial Curitiba, 17 (AE) - Aplaudida em cena aberta e com entusiasmo ao fim do espetáculo, a Intrépida Trupe conseguiu superar as dificuldades impostas pelo àpera de Arame na noite de abertura do 9.º Festival de Teatro de Curitiba, que começou ontem e promete nada menos que 321 apresentações de 69 espetáculos até o encerramento no dia 26. Na primeira apresentação de "Kronos", abrindo a festa, a trupe ganhou a auxílio extra de efeitos especiais de som e luz: trovões e relâmpagos que iluminavam o público e toda a estrutura do àpera, construído em vidro e ferro, provocados pela forte chuva que desabou durante o espetáculo. Representante do chamado novo circo, a Intrépida Trupe, em "Kronos", resolveu criar uma única história sobre a qual concebeu todas as cenas. A primeira, a aparição de dois bufões no alto das laterais da platéia, dá o tom do espetáculo: o desejo de fazer da palavra um elemento tão forte quanto os malabarismos e saltos mortais e ainda de promover um diálogo entre mitologia e cultura popular brasileira. Os bufões dizem estar ali para "contar a história do tempo", desde o big-bang, passando pelo mitológico kronos, o guardião do tempo que devorou seus filhos, até os tempos modernos. Seus figurinos remetem aos bufões medievais, porém sua linguagem mescla a poesia medieval com a musicalidade e o vocabulário dos repentistas e cordelistas nordestinos, passando em alguns momentos pelo malandro carioca. Esse diálogo dá o tom dessa mistura que perpassa todo o espetáculo no qual Zeus e Kronos, por exemplo, lutam com facas como nas danças do maracatu para depois as trocarem por tochas de fogo. A amplitude do tema talvez tenha contribuído para a fragilidade da dramaturgia e para um resultado de altos e baixos. A complexa relação do homem com o tempo ganhou sua melhor tradução na cena final, quando todos viram um brinquedo na mão de um tempo bufão. Ora a trupe brincou com o tema, ora o tema com a trupe. Um dos bons momentos está no pingue-pongue entre Prometeu e o bufão. O primeiro tenta fazer o segundo adivinhar qual o presente que traz para os homens numa conversa "descontraída" durante a qual jogam um para o outro, como se fosse um brinquedo, uma bola de fogo. Aliás, as coreografias com fogo são responsáveis por alguns dos melhores momentos. Maratona - "Kronos" foi o primeiro espetáculo dos 69 que integram a programação do festival: 22 na mostra oficial e 47 no Fringe, com 13 estréias, depois de algumas modificações de última hora. Entre elas, a fusão das duas peças de Gerald Thomas com a Companhia de àpera Seca. "Coro" e "Camarim" que seriam apresentadas separadamente, em quatro dias, transformou-se em "Coro e Camarim, Uma Tragédia Rave", um único espetáculo com duas apresentações. E Thomas ainda vai trazer para o Fringe "Ventriloquist", seu mais recente trabalho, que estreou em São Paulo no fim do ano . Outra baixa na mostra oficial foi causada pela desistência do diretor paranaense Felipe Hirsch, que apresentaria "Play" com Eliane Giardini, Cida Moreira e Guilherme Weber integrando um elenco de sete atores. Apesar dessa desistência, Hirsc não está fora do festival. Outro espetáculo de sua direção, "A Vida É Cheia de Som e Fúria", com apresentação amanhã (18) no Teatro José Maria Santos, está entre os bem cotados do Fringe. Na abertura do festival já estavam esgotados os ingressos para "Apocalipse, 1,11" que será apresentado só a partir do dia 22 num presídio local - uma ala ainda em construção - para cem espectadores. Com uma fila de espera de mais de cem pessoas, os organizadores já estudam a possibilidade de realizar sessões extras. O segundo espetáculo mais procurado até agora foi "Crimes Delicados", de José Antônio de Souza, com direção de Antônio Abujamra, que vai estrear em São Paulo no dia 30.





