Intrépida simpatia
PUBLICAÇÃO
domingo, 31 de julho de 2011
Mariana Trigo <br> TV Press 
Passaram-se exatos 10 anos desde que Lara Rodrigues estreou nas histórias de Monteiro Lobato como a astuta Narizinho no infantil ''O Sítio do Picapau Amarelo'', na Globo. Os trejeitos serelepes, que mais fazem lembrar a Emília, continuam os mesmos, apesar de a atriz agora participar de sua mais densa trama na emissora, a minissérie ''O Astro''. Na conturbada história de Janete Clair, adaptada por Alcides Nogueira, Lara vive a inquieta Lourdinha, funcionária da casa dos Hayalla. Meio fora do contexto mais dramático da história, sua personagem vive pelos cantos, suspirando pelo mau-caráter Felipe, de Henri Castelli. Responsável por parte das cenas mais engraçadas de um dos núcleos mais tensos do folhetim, Lara se orgulha de começar a se exercitar na comédia. Afinal, sua personagem aparece com uniformes curtíssimos, fala de forma quase afetada e se comporta como uma ''piriguete'' no sério e sofisticado casarão da família Hayalla. ''Ela é muito dada! Abraça e beija todo mundo! Faz amigo de infância na fila do pão'', diverte-se Lara, aos risos.
Com as bochechas rosadas e muito falante, a atriz mineira, nascida em Juiz de Fora e criada no Rio desde os 10 anos de idade, quando mudou-se para a cidade para estrear como atriz no papel de Narizinho, disseca com perspicácia a composição de Lourdinha. Afirma que fez um ''potpourri'' de personagens ''atirados'' dos folhetins, como a Babalu, vivida por Letícia Spiller na novela ''Quatro por Quatro''. ''Ela é coquetezinha mesmo, cheia de rompantes, abusada, mas não é dada no sentido pejorativo. Tenho até um pouco dela. É difícil me fazer calar a boca. Mas, em contrapartida, também faço ioga e sou mais calma'', compara.
O equilíbrio de Lara só foi balançado no ano passado, quando a atriz teve um desequilíbrio hormonal provocado por um desajuste na tireóide que a fez engordar 17 kg. Apavorada, entregou o apartamento no Rio, onde morava sozinha, e correu para Juiz de Fora para ficar perto da mãe. ''A família nos salva nessa hora. Meu exame de sangue estava pior que o da minha avó de 89 anos'', lembra.
O que mais a intrigava é que suas atividades físicas para manter a forma para a profissão não haviam sido alteradas, como aulas de dança, futevôlei e muitas manobras no skate, seu passatempo preferido. Mesmo assim, o ponteiro da balança só subia. Depois de um longo tratamento com endocrinologista, Lara finalmente conseguiu sair dos 69 kg para os 57 kg e ainda planeja perder mais 5 kg em breve. Para isso, nos intervalos das gravações, tem praticado musculação, ioga e corrida na esteira.
Com planos de logo voltar definitivamente para o Rio, Lara analisa os 10 anos de carreira que não tiveram uma trajetória bissexta na tevê. Afinal, passar pela adolescência emendando trabalhos na teledramaturgia é uma tarefa árdua em um período de tantas transformações físicas e emocionais. ''Não nasci carioca por erro de cálculo. Sou muito de praia. Meu lugar é aqui, trabalhando com feras na tevê. Que venham mais 20, 30, 40 anos de carreira!'', torce.


