INTERNET - DE OLHO NA REDE
PUBLICAÇÃO
sábado, 29 de abril de 2006
Ana Paula Nascimento<br> Reportagem Local 
Com uma estimativa de 11,5 milhões de usuários no Brasil aproximadamente a metade de todos os internautas no país não dá para desprezar o poder de influência do site de relacionamentos Orkut. E, no sábado retrasado, uma nova ferramenta fornecida pelo site, que permite a verificação de todas as pessoas que entram nas páginas pessoais expondo os ''xeretas de páginas alheias'' que preferem o anonimato, gerou polêmica. A mudança, justificada como medida de segurança, foi de supetão e deixou incomodados alguns usuários, que se sentiram superexpostos. Na terça-feira (25/04), a Folha2, na reportagem ''Orkut muda e surpreende usuários'' mostrou a repercussão da novidade entre internautas londrinenses e curitibanos. E o resultado foi também uma surpresa: nos últimos 10 anos - tempo em que a Folha de Londrina é disponibilizada na internet (a completar em 5 de novembro) - esta foi uma das matérias mais lidas e com maior número de acessos diários, mesmo após a data de publicação. No total, foram 3.540 acessos. Sem dúvida, um dos recordes do jornal.
Além de fornecer subsídios editoriais, em termos jornalísticos, sobre os assuntos que no momento mobilizam o interesse da sociedade, o grande número de interessados nessa pauta fornece um indício do quanto a internet está interligada à vida das pessoas.
Quando o Orkut ''abriu'' as pegadas virtuais, deixadas por internautas em páginas alheias, muitos se sentiram lesados. Há casos como o de uma mulher que costumava ''xeretar'' em páginas do ex-marido, que se recusava a pagar a pensão, mas deixava pistas sobre gastos com viagens e passeios na internet. Ou da mãe que, preocupada com o filho em tratamento de desintoxicação, tinha o hábito de anonimamente monitorar o círculo de amizades do filho no Orkut. Estes monitoramentos vieram à tona, colocando em evidência exemplos de utilização da ferramenta na vida privada para outros fins, além do objetivo original do site de aproximar pessoas e formar comunidades interessadas em diversos, favorecendo a discussão virtual.
A falta de segurança na internet também entrou em debate durante a semana, já que a nova ferramenta não garante, na prática, uma eficiência maior de proteção. Os hackers ainda conseguem atuar e os usuários podem criar nomes fictícios (ou cadastrar-se como ''anônimos'').
A história da estudante londrinense, de 16 anos, que recentemente teve a sua página do Orkut alterada, sendo apresentada como garota de programa, com o endereço e os números do celular e do telefone residencial incluídos, também foi relembrada. Pelo fato do Orkut ter a sua sede administrativa nos Estados Unidos, as investigações podem chegar a dois anos, conforme informações do Núcleo de Combate ao Cibercrimes (Nuciber) unidade da Polícia Civil especializada em delitos virtuais, com sede em Curitiba. Mais informações sobre o Nuciber podem ser obtidas pelo telefone (41) 3323-9498.
Nesse jogo de ''esconde-esconde'', o internauta tem que driblar os novos desafios que vão aparecendo em um terreno onde o conceito de privacidade parece estar perdendo seu sentido original.
Uma curiosidade: o turco Orkut Buyukkokten, analista de sistemas do Google, é o proprietário do serviço. A audiência do site chegou a 24 milhões de visitas em fevereiro, o que faz dele a segunda maior comunidade da internet (a primeira é o MySpace, que teve 49 milhões de visitantes em fevereiro). Do total de usuários do Orkut, 73% são brasileiros e apenas 11%, americanos. (Fonte: Revista Veja 12/04/2006).


