INTERESSE À VISTA
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 04 de abril de 2001
Jackeline Seglin De Londrina 
A Casa do Hip Hop, projeto que está sendo elaborado por membros do Movimento Hip Hop de Londrina, trouxe à cidade duas representantes de uma organização não-governamental (ONG) americana que realiza trabalhos com comunidades rurais e urbanas do Brasil. Londrina entrou por acaso no roteiro do Instituto Internacional de Cooperação e Desenvolvimento (IICD) através da africana Valerie Traore e da norte-americana Molly Lampi, que passavam por São Paulo com destino a Ribeirão Claro (PR). Na capital paulista, o DJ KSK, de Londrina, apresentou a elas o projeto, que chamou a atenção pelo seu caráter social, aliado ao aspecto cultural.
O objetivo do projeto londrinense é divulgar a cultura hip hop e, ao mesmo tempo, desenvolver trabalhos sociais principalmente com meninos e meninas de rua e bairros carentes. A idéia partiu de um grupo de participantes do movimento local, que entrou em contato com as Secretarias da Cultura e da Ação Social para apoiar a idéia.
O grupo pretende fundar uma ONG para dar continuidade ao projeto e, assim, conseguir verbas de sustentação. Por enquanto, eles contam com apoios e esperam conseguir um local cedido pela prefeitura para abrigar a Casa do Hip Hop. Uma das idéias é utilizar o porão do anfiteatro do Zerão, que segundo KSK, está abandonado. Queremos poder usar também o palco do anfiteatro para fazer shows, por exemplo. Já temos contatos com grupos nacionais, que aceitaram fazer apresentações de graça, antecipa KSK.
O DJ conta que a Casa do Hip Hop não objetiva somente tirar os garotos da rua durante o dia. Em conjunto com a Secretaria da Ação Social, a idéia é fazer um trabalho mais abrangente, que consiga com que esses meninos possam também retornar as suas casas à noite isso já vem sendo feito por voluntários no centro de Londrina. Mais tarde, o objetivo é estender o programa. Não queremos restringir a experiência apenas à comunidade carente. Nossa idéia é incluir outros jovens interessados em participar do projeto.
Apesar de não estar no roteiro do IICD, a idéia da Casa do Hip Hop será levada aos Estados Unidos para que essa e outras ONGs conheçam o projeto e, de alguma forma, viabilizem parcerias. Valerie Traore e Molly Lampi registraram sua passagem pela cidade em imagens e fotografias, que serão editadas e apresentadas como documentário em um canal de televisão de Indianápolis. É uma forma de não somente as ONGs, como também as pessoas, ajudarem no projeto, conta Valerie, que se mostrou bastante entusiasmada com a idéia. Não sabemos o que vai acontecer, mas temos esperança de viabilizar suportes para o projeto de várias formas, como o próprio intercâmbio.
A tarefa de Valerie e Molly no Brasil é conhecer novas experiências desenvolvidas por comunidades rurais e urbanas. O interesse pela Casa do Hip Hop é que o projeto utiliza a cultura para dar esperança a crianças e adolescentes. Não é só música. É solidariedade, diz Valerie. No dia 1º de junho, as duas garotas ambas de 20 anos retornam aos Estados Unidos com o material coletado em Londrina. Na cidade, elas conheceram a realidade de alguns bairros, como o União da Vitória, e o trabalho desenvolvido com crianças no Caic da Zona Sul.
O IICD é uma instituição que existe há uma década e, a cada ano, envia representantes ao Brasil para conhecer novas comunidades. Em 2001, voluntários da ONG vieram passar três meses em locais diferentes: ruas e favelas de Recife (PE), uma comunidade em Ribeirão Claro e um assentamento do Movimento Sem-Terra em Nova Laranjeiras (PR).


