A ‘‘Casa do Hip Hop’’, projeto que está sendo elaborado por membros do Movimento Hip Hop de Londrina, trouxe à cidade duas representantes de uma organização não-governamental (ONG) americana que realiza trabalhos com comunidades rurais e urbanas do Brasil. Londrina entrou por acaso no roteiro do Instituto Internacional de Cooperação e Desenvolvimento (IICD) através da africana Valerie Traore e da norte-americana Molly Lampi, que passavam por São Paulo com destino a Ribeirão Claro (PR). Na capital paulista, o DJ KSK, de Londrina, apresentou a elas o projeto, que chamou a atenção pelo seu caráter social, aliado ao aspecto cultural.
O objetivo do projeto londrinense é divulgar a cultura hip hop e, ao mesmo tempo, desenvolver trabalhos sociais principalmente com meninos e meninas de rua e bairros carentes. A idéia partiu de um grupo de participantes do movimento local, que entrou em contato com as Secretarias da Cultura e da Ação Social para apoiar a idéia.
O grupo pretende fundar uma ONG para dar continuidade ao projeto e, assim, conseguir verbas de sustentação. Por enquanto, eles contam com apoios e esperam conseguir um local cedido pela prefeitura para abrigar a Casa do Hip Hop. Uma das idéias é utilizar o porão do anfiteatro do Zerão, que segundo KSK, está abandonado. ‘‘Queremos poder usar também o palco do anfiteatro para fazer shows, por exemplo. Já temos contatos com grupos nacionais, que aceitaram fazer apresentações de graça’’, antecipa KSK.
O DJ conta que a ‘‘Casa do Hip Hop’’ não objetiva somente tirar os garotos da rua durante o dia. Em conjunto com a Secretaria da Ação Social, a idéia é fazer um trabalho mais abrangente, que consiga com que esses meninos possam também retornar as suas casas à noite – isso já vem sendo feito por voluntários no centro de Londrina. Mais tarde, o objetivo é estender o programa. ‘‘Não queremos restringir a experiência apenas à comunidade carente. Nossa idéia é incluir outros jovens interessados em participar do projeto’’.
Apesar de não estar no roteiro do IICD, a idéia da ‘‘Casa do Hip Hop’’ será levada aos Estados Unidos para que essa e outras ONGs conheçam o projeto e, de alguma forma, viabilizem parcerias. Valerie Traore e Molly Lampi registraram sua passagem pela cidade em imagens e fotografias, que serão editadas e apresentadas como documentário em um canal de televisão de Indianápolis. ‘‘É uma forma de não somente as ONGs, como também as pessoas, ajudarem no projeto’’, conta Valerie, que se mostrou bastante entusiasmada com a idéia. ‘‘Não sabemos o que vai acontecer, mas temos esperança de viabilizar suportes para o projeto de várias formas, como o próprio intercâmbio’’.
A tarefa de Valerie e Molly no Brasil é conhecer novas experiências desenvolvidas por comunidades rurais e urbanas. O interesse pela ‘‘Casa do Hip Hop’’ é que o projeto utiliza a cultura para dar esperança a crianças e adolescentes. ‘‘Não é só música. É solidariedade’’, diz Valerie. No dia 1º de junho, as duas garotas – ambas de 20 anos – retornam aos Estados Unidos com o material coletado em Londrina. Na cidade, elas conheceram a realidade de alguns bairros, como o União da Vitória, e o trabalho desenvolvido com crianças no Caic da Zona Sul.
O IICD é uma instituição que existe há uma década e, a cada ano, envia representantes ao Brasil para conhecer novas comunidades. Em 2001, voluntários da ONG vieram passar três meses em locais diferentes: ruas e favelas de Recife (PE), uma comunidade em Ribeirão Claro e um assentamento do Movimento Sem-Terra em Nova Laranjeiras (PR).

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