Interessante, "Studio 54" vale apenas como retrato de uma época
São Paulo, 13 (AE) - "Studio 54", como sabe todo cidadão ou cidadã fashion, foi aquela boate de Manhattan, onde "todo mundo" ia. Todo mundo, entenda-se, ricos, famosos, descolados, prostitutas de luxo, brasileiros ricos que queriam aparecer, sultões decadentes, drogados e coroas endinheirados em busca da juventude perdida - a fauna habitual do jet set. O filme de Mark Christopher, que entra em cartaz na cidade, tenta retratar esse ambiente, o modo de vida que o cercava e, talvez, a mentalidade de uma época.
Fim dos anos 70, o mundo preparava-se para ingressar na era yuppie e ninguém queria saber de nada, a não ser gozar a vida. Para quem tinha dinheiro, caso da freguesia do 54, era mais fácil. Com um pequeno detalhe: vivia-se os últimos anos da era pré-aids, quando a pior consequência da promiscuidade sexual era remediável com uma boa injeção de penicilina.
Para contar sua história, Christopher convoca o jovem provinciano Shane OShea (Ryan Phillipe), que deseja conhecer o 54 por dentro. Para tanto, só dispunha da cara e da coragem. Era o suficiente. Muito bonito, tem sua entrada permitida. Quem fica selecionando os anônimos, na porta da boate, é o próprio proprietário, o mitológico Steve Rubell (Mike Myers). Shane entra, diverte-se e ganha o grande prêmio. Torna-se funcionário da casa. A história será contada pelos seus olhos.
No Studio 54 ele conhece seus colegas casados, Greg (Breckin Meyer) e Anita (Salma Hayek), e também a garota dos seus sonhos, a estrelinha Julie Black (Neve Campbell). O relato procura ser adulto. Afinal, lá dentro rolam sexo, drogas e música de baixa qualidade. Aquela do tipo bate-estaca. Mas, quem estava lá interessado em acordes ou melodias? O negócio era curtir. E passamos ao, digamos, substrato do filme.
Sem moralismo aparente, Christopher procura mostrar que aquele tipo de vida baseado apenas no princípio do prazer não pode ir muito longe. Há um momento em que tudo se desfaz, a morte passa a cobrar seu preço, levando uma das frequentadoras mais conhecidas, Rubell é preso por lesar o fisco. Solto, tentará recuperar-se e voltar com o antigo charme. Mas tudo já tinha passado e o 54 já exibia ar farsesco. Tempo passado, página virada. Quanto ao filme: a história não é lá grande coisa. Vale como veículo para um documento de época. Interessante, pouco brilhante. (L.Z.O.)





