Intercâmbio é programa para todas as idades
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terça-feira, 24 de maio de 2005
Agência Globo 
Embora seja mais comum fazer intercâmbio entre 15 e 18 anos (no ensino médio), de 18 a 28 (para trabalho temporário) ou de 21 a 30 (estágio), programas de estudos no exterior podem ser feitos em muitas outras fases da vida. Da tenra infância (como as crianças do curso de idiomas Dice que passam um mês por ano estudando numa escola pública da Flórida) à terceira idade (em cursos de idiomas, artes e cultura).
O diplomata aposentado Antônio Andrada, de 72 anos, foi um que aderiu ao cursinho de aperfeiçoamento de idioma com hospedagem em casa de família no exterior. Aproveitou para rever Munique, onde serviu como vice-cônsul em seu primeiro posto no Itamaraty lá se vão cinco décadas. ''Quis rever a cidade, relembrar a língua, mas com uma rotina de estudante, diferente. Adorei'', conta.
A violonista clássica Graça Alan, professora da Escola de Música da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFPR), foi para Londres no mesmo esquema. Estudou inglês quatro semanas, encontrou amigos, respirou cultura... e vai repetir a dose mais para a frente, dessa vez no Canadá, para treinar o francês também. ''Fiquei numa família ótima. Um dia fiz até recital para eles depois do jantar.''
No curso de inglês Dice, que recebe crianças a partir de 1 ano e 8 meses, há um programa de aulas em Orlando uma vez por ano. Podem viajar os alunos entre 5 e 11 anos. Eloísa de Oliveira Lima, diretora do Dice, conta que elas ficam muito bem um mês longe dos pais. Mas a recíproca... ''Os pais é que não aguentam de saudades, muitos ligam várias vezes por dia'', conta. ''O legal é que as crianças convivem lá com alunos de sua mesma faixa etária e mesmo nível escolar. Por isso o aprendizado é intenso.''
Eloísa tem regras para formar o grupo: não aceita crianças que estejam vivendo momentos turbulentos em família (separação dos pais, nascimento de irmão, mudança de apartamento), para evitar que a viagem seja marcada por um trauma.
Se a opção for por um período de trabalho no exterior, as experiências serão ainda mais significativas. É o que afirma Thiago Espana, da World Study. Segundo ele, esse tipo de programa é o que mais cresce. E a razão é o grau de amadurecimento que proporciona.
''No intercâmbio de ensino médio às vezes o cara vai até sem pensar direito, só porque os pais querem que ele vá. No de trabalho, se ele não comprar a idéia, não vai. Porque vai ralar mesmo, mas vai aprender muito também'', afirma Thiago. ''Costumo dizer que a gente dá o curso de pescaria, dá a vara, dá a isca, mas se ele não se sentar lá e pescar, não vai ter nada.''
Carlos Roberto dos Santos Souza, de 31 anos, estava formado em administração de empresas há quase dois anos quando, no fim do ano passado, decidiu se licenciar do trabalho para fazer um estágio de quatro meses numa empresa americana. Inscreveu-se num programa de estágio oferecido por uma operadora e foi selecionado. Segundo Beto que afirma vir assumindo responsabilidades desde seus 14 anos o que o atraiu para o desafio foi a perspectiva de aprender sempre mais. Seu estágio lá girou em torno de uma análise do mercado brasileiro para aquela empresa.
''Para mim o intercâmbio foi mais do que a chance de pôr em prática o aprendizado da faculdade. Foi uma mola propulsora para novos horizontes profissionais no Brasil, pois existe a possibilidade de futuramente eu vir a representar a empresa aqui'', conta.


