Passar uma temporada no exterior em busca de novos conhecimentos, culturas e idiomas já não é programa só para jovens. Cresce nas agências especializadas o número de pessoas da terceira idade interessadas nestes programas. O prazer de estudar e fazer novas amizades é o principal motivo para ''cortar o cordão umbilical'' com os filhos e netos.
Carmem Siqueira de Carvalho, 79 anos, saiu de Londrina direto para Ilha de Malta para fazer um curso de inglês em 2003. ''Eu estudava no IBL (escola de línguas) e soube que haveria esse curso pela Central de Intercâmbio. Fui até eles pedir orientação'', relembra. A experiência durou um mês e foi inesquecível. ''Fiquei na casa de uma senhora, perto do local do curso, e fiz muitas amizades com pessoas da China, Itália, Colômbia. Foi uma convivência muito boa'', conta dona Carmem. Mãe de Márcia, ela não enfrentou empecilhos da filha, que sempre estimulou a mãe. ''Já fiz várias viagens, conheço Portugal, Espanha, França, Inglaterra, Itália e Grécia'', enumera.
Dona Carmem gosta de explorar o lado cultural das cidades por onde passa. ''Sou uma pessoa muito curiosa, gosto de aprender.'' Durante a estadia pela Ilha de Malta, dona Carmem visitou museus e vários pontos turísticos. Para quem acredita não ter mais ânimo para ser intercambista, dona Carmem ensina: ''Nunca é tarde para a gente aprender coisas novas e ter experiências diferentes.''
A Central de Intercâmbio é uma das agências com programas específicos para os mais ''experientes''. O ''Idade de Ouro'' leva o intercambista à Espanha, onde ele pode aprender ou aperfeiçoar seus conhecimentos de espanhol. Só pode participar quem já passou dos 50 anos. Os cursos acontecem nas cidades de Madri ou Marbella e, durante a estadia, são realizadas várias atividades culturais e pequenas viagens a cidades próximas. Além disso, há a possibilidade de aprender a dança flamenca e ter aulas da culinária espanhola.
Quem prefere estudar inglês pode optar por conhecer a Inglaterra no programa ''Bournemoth'', também direcionado para quem já completou cinco décadas. A duração mínima do curso é de duas semanas. Um período do dia é dedicado às aulas e depois são feitas várias atividades culturais e passeios. O programa na Ilha de Malta segue essas mesmas características.
A proprietária da CI em Londrina, Gabriela Costa, lembra que além desses programas há vários outros cursos que pessoas da terceira idade podem participar. ''Os programas têm idade mínima e não máxima'', brinca. Ela observa um fato curioso entre os intercambistas mais experientes: ''Quem quer fazer esse programa não tem perfil de pessoa da terceira idade.''
Para qualquer programa há diferentes possibilidades de acomodação, como casas de família e residência estudantil. Quem preferir pode se hospedar em hotel mas Gabriela aponta que a maioria prefere as outras opções. ''Quem vai para fora nesses programas quer se socializar'', justifica.

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