Quando há semanas vi o trailer deste ''Babylon A.D'', no circuito nacional a partir de hoje (veja a programação de cinema na página 2), um sopro de esperança me deixou com boa expectativa. Produção européia, forte presença francesa, com cara, coragem e recursos, emulando o cinema hollywoodiano de ação ??? E ainda com sobrenomes ilustres na direção e elenco, Kassovitz, Depardieu, Rampling ?
Melhores, muito melhores as intenções que os resultados. Poderia ter sido um grande filme de antecipação. Terminou melancolicamente amarrado ao pior modelo do cinema atual, quer dizer, carregado de forma, oco de essência. Vertigem, em lugar de fluidez. ''Tecnopatia'', em vez de alma. Excessos de espetaculosidade, carência de verossimilhança. E o mais comprometedor: um roteiro que se esvai, que perde força à velocidade da luz até se transformar em quase nada.
O argumento, vocês verão, era de ótimo calibre. Uma paisagem futurista, desolada, gélida, apocalíptica, brutal, sem lei e sem ordem, mística, com um herói/antiherói solitário, Toorop (Vin Diesel), meio mercenário, meio ser humano que deixou de acreditar em sua própria raça. Na Europa oriental, ele recebe como missão levar por muitos mil quilômetros - de um convento na Ásia até Nova York - uma jovem misteriosa, Aurora (bela Mélanie Thierry). Com a dupla segue a irmã da moça, Rebeka (simpática Michelle Yeoh), exímia nas artes marciais.
O diretor Matthieu Kassovitz (já assinou o muito bom O Ódio, o regular Assassinos e o interessante Rios Vermelhos) tem talento, mas aqui o roteiro co-escrito por ele atropela a lógica, confunde a narrativa. Não chega a ser desastroso, mas chega perto. Kassovitz, dando de esperto diante da indiferença do box-office nos EUA, tratou de anunciar divergências irreconciliáveis com os produtores durante as filmagens. Espertos também Gerard Depardieu e Charlotte Rampling, a esta altura com nada a provar e levando o deles sem qualquer complicação.

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