Com as facilidades da vida moderna – desde um simples controle remoto até o acesso ao computador, que nos põe em contato quase imediato com uma imensidão de informações –, algumas escolas estão preocupadas em desenvolver habilidades nos alunos que estimulem a capacidade de pensar, escolher a melhor estratégia para o enfrentamento de desafios e adquirir um controle emocional que traga benefícios até na hora de ler corretamente o enunciado de uma questão do vestibular.
  A partir deste ano, a Escola O Peixinho está aplicando a metodologia do Projeto Pensamento, Ação e Inteligência (PAI), de origem espanhola, que no Brasil está sendo divulgado pela Edições SM. Desde os quatro anos até a conclusão da 4ªsérie, os alunos estão tendo a oportunidade de ter uma aula semanal diferenciada, em que o material didático utilizado fica na escola – para evitar que façam as atividades rapidamente e deixem de receber a orientação adequada.
  Valorizando o lúdico através de exercícios aparentemente simples, os alunos são estimulados, por meio de uma série de atividades, a ter um olhar mais observador e investigativo. A ‘‘resposta certa’’ não é o foco principal, e sim as estratégias de pensamento desenvolvidas para se chegar à conclusão final.
  Os exercícios abordam as seguintes competências e habilidades: percepção, atenção, memória, pensamento, linguagem, psicomotricidade específica, estruturação espacial, vivência do tempo, expressão artística e conhecimento de si mesmo. ‘‘No início, essa nova forma de proceder gerou um certo estranhamento tanto nos pais quanto nas professoras, que dentro desta metodologia têm o papel fundamental da mediação’’, comenta a diretora Daniele Zoéga Della Barba. O aluno Tarik Pana El Kadre, 10 anos, conta que gosta do projeto, mas que às vezes acha ‘‘meio difícil’’: ‘‘É legal porque está me ajudando a ser menos ansioso e toda turma está mais concentrada.’’
  Sob a supervisão da psicóloga Ana Priscila Martelozo, as professoras trocam experiências e passam por avaliações constantes; os pais dos alunos também participaram de uma reunião para conhecer o projeto, realizando algumas atividades práticas. ‘‘O desafio de aprender a estimular o pensamento é para todos. Vivemos um sistema educacional muito mecanizado, focado na memorização’’, ressalta Ana Priscila.
  Dentro dessa perspectiva, essa abordagem se torna necessária até para combater a ansiedade dos alunos em terminar os exercícios, deixando de entender de forma correta o enunciado das questões. No final da atividade proposta, os alunos são estimulados a fazer uma explicação do seu pensamento e constroem uma frase-síntese sobre a estratégia utilizada.
  ‘‘A experiência está dando tão certo que estamos pensando em ampliar a metodologia para outras disciplinas. E ela também está nos motivando a considerá-la até uma ‘ferramenta’ para diagnóstico de avaliação, já que consegue identificar de forma mais concreta o aluno que tem dificuldade em ser criativo e ousar na capacidade de pensar’’, salienta a diretora.
  Já no Colégio Universitário, desde o ano passado a Metodologia Menteinovadora está sendo aplicada para alunos do nível 3 à 8ªsérie para desenvolver o pensamento. Há oito anos a instituição implantou a disciplina Educação para Pensar para essas séries, enfocando o resgate de valores através de debates com enfoque filosófico, e o Menteinovadora veio implementar essa forma de trabalho.
  Uma vez por semana os alunos participam de jogos diferenciados, normalmente de tabuleiro, que estimulam a concentração, a memória e o desenvolvimento de estratégias de raciocínio, abordando aspectos cognitivos, sociais e emocionais. Alguns dos jogos utilizados, como A Hora do Rush, são vendidos em lojas de brinquedos.
  ‘‘Trabalhamos sempre com o conceito de que não é o ‘jogo pelo jogo’. Aproveitamos as atitudes dos alunos durante os jogos para aprofundarmos questões de comportamento. E o outro não é visto como adversário, e sim como oponente’’, explica a professora Eunice Fernandes, que junto com os professores Saulo Gaspar e Rodrigo Wosiack da Silva são responsáveis pela aplicação da metodologia.
  E essa nova forma de trabalhar também está trazendo benefícios para o comportamento dos alunos, como explica a coordenadora Carla Rocco: ‘‘Eles estão ficando mais conscientes. Conseguem perceber o erro e encontram uma forma própria de resolver o conflito, com mais autonomia’’. O aluno Bruno da Silva Pereira, 11 anos, confirma que o Menteinovadora tem lhe ajudado a não se precipitar em ‘‘certas situações da sua vida’’.

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