Integração entre os povos começou no pós-guerra
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terça-feira, 12 de julho de 2005
Agência Globo 
Contam alguns que o intercâmbio surgiu no pós-guerra, com jovens americanos indo à Europa cuidar de combatentes feridos, passando dois ou três meses por lá, imergindo numa outra cultura, aprendendo com as diferenças e daí supondo que esse tipo de integração seria perfeita para selar a paz entre os povos. Outros lembram que, se foi mesmo assim, a idéia de paz na Terra logo deu lugar a uma indireta guerra mercadológica: jovens que conheciam um novo e sedutor estilo de vida, ao voltar para seus países replicavam certos hábitos de consumo e assim a Coca-Cola, a Levi's e outras marcas americanas tiveram um empurrãozinho na conquista do planeta.
Mas a onda de medo após o 11 de setembro acabou tirando dos Estados Unidos a quase exclusividade dos programas de intercâmbio estudantil. A galera provou diferentes culturas, outros valores, novas paisagens... e fez o boca a boca: há mundo (e que maravilhoso mundo!) fora dos EUA. Hoje os filhos da classe média alta vão treinar o inglês e outras línguas estrangeiras no Canadá, na Austrália, na Alemanha, na Inglaterra, na França.
''Os Estados Unidos continuam sendo o país com o maior mercado de intercâmbio. Mas, desde 2001, todo ano eles caem um pouquinho e outros países aumentam sua participação'', diz Thiago Espana, diretor da empresa de intercâmbios World Study.
Gerente da filial Barra-Downtown do Student Travel Bureau (STB), Flávia Serra conta que antes de 2001 os cariocas gostavam muito de fazer intercâmbio em San Diego a paixão pelas ondas e muitos migraram para a Austrália depois do 11 de setembro. Primeiro pelo medo de atentados, mas depois também porque todos que voltavam traziam um sorriso nos lábios. As dificuldades maiores para obter visto para os EUA também ajudaram nesse redirecionamento, que beneficiou ainda Canadá (preços mais em conta e visto desburocratizado) e até Inglaterra (sem necessidade de visto), para os mais abastados.
Planejar a viagem de intercâmbio, portanto, vai além de escolher o idioma e a operadora: é preciso avaliar que tipos de cidade e cultura combinam com suas pretensões, quanto tempo você quer ou suporta ficar fora (há programas de um mês e os clássicos, de seis meses ou um ano) e se gostaria de pegar inverno ou verão lá fora.


