Como um grande projeto de integração e socialização entre as escolas da rede estadual do Paraná, desde 2004 acontece no estado o Festival de Arte e Ciência da Rede Estudantil, o Fera com Ciência, que reúne milhares de alunos das regionais de educação. Em Rolândia, na semana passada, cerca de 2 mil alunos de escolas estaduais que integram o Núcleo Regional de Educação de Londrina, que abrange 19 municípios, e mais 300 professores participaram durante cinco dias das atividades culturais e educativas do evento. Foram ofertadas 40 oficinas para alunos e sete para professores.
Sediado no Ginásio Emílio Gomes, onde tradicionalmente acontece o Oktoberfest de Rolândia, o festival contou com uma ampla estrutura, também ocupando as instalações da Escola Municipal Dr. Vitório Franklin e dos colégios estaduais Souza Naves e Presidente Kennedy. Aos participantes foram disponibilizados lanches e refeições gratuitos no local e o transporte também foi custeado pelo evento. Um desfile pelas principais ruas da cidade marcou a abertura do evento, dando uma pequena amostra da diversidade cultural da programação. Uma apresentação do Ballet de Londrina também foi destaque.
Com a parte da manhã voltada pela realização das oficinas pedagógicas e culturais, andar pelos corredores das escolas era presenciar uma série de atividades que se diferenciam da rotina escolar. Oficina de confecção de instrumentos musicais com materiais alternativos, aulas de malabares, acrobacias, tecido circense e até a construção de um tabuleiro gigante de xadrez fizeram parte das atividades. Para os professores foram ofertadas, entre outras, as oficinas de educação musical, do processo analítico do fazer teatral e de história da cultura oral afro-brasileira e africana, com o professor nigeriano Daniel Abidemi Adebayo Majaro.
A questão da inclusão também ganhou destaque na oficina de visão inclusiva, com o professor Julio Cesar Sales, da rede municipal de Londrina. Durante quatro dias, os alunos puderam experimentar os desafios dos deficientes visuais praticando o golball, em que se joga futebol de olhos vendados; o vôlei sentado e também andar pelas ruas da cidade em cadeira de rodas. ''Percebi o quanto é difícil se movimentar dessa maneira. Há muitos buracos nas calçadas'', comenta o aluno Danilo Barbosa de Souza, 16 anos. Já Dayane Aparecida Betin, 16 anos, destaca que a participação na oficina modificou sua postura de vida: ''Mudei bastante desde o primeiro dia do curso e me emocionei muito com o vídeo sobre deficientes que o professor passou. Agora tenho consciência que os deficientes também são capazes e merecem respeito e atenção''.
Nos intervalos das atividades, interferências com um grupo de artistas performáticos reforçavam o tom artístico do evento e foram garantia certa de diversão aos alunos. Durante o horário de almoço, das 12 às 14 horas, os participantes também podiam fazer manicure, tatuagem de henna, maquiagem artística em tendas montadas ao ar livre. Para os professores, o Cantinho Zen oferecia massagem relaxante e acupuntura auricular. A parte da tarde foi direcionada às apresentações culturais e à visitação aos estandes com trabalhos escolares de diversas áreas e exibição de filmes.
Participando pela primeira vez de uma edição do Fera, a professora Janaína Closs Salvador Barroso, de Ibiporã, aprovou a iniciativa. ''Estou fazendo a oficina de educação musical, que pela sua abordagem pedagógica também será útil na minha área de atuação, que é Educação Física, na questão do ritmo e expressão corporal. E fora a questão pedagógica, é muito válida a troca de experiências entre os professores de outras cidades e realidades'', ressalta.
Opinião seguida pela aluna Kauany de Freitas Soares, 10 anos, de Alvorada do Sul: ''Estou achando muito legal, já fiz novos amigos e as oficinas nos ajudam a compreender melhor as coisas. Saio de casa às 5 horas para vir aqui e chego quase às nove da noite, mas está valendo muito a pena''.
''O Fera é um momento privilegiado de troca de experiências, que marca para sempre a vida dos alunos e professores. Através da ciência e da arte, produzem o conhecimento e o saber em todas as suas potencialidades'', ressalta a chefe do Núcleo Regional de Educação de Londrina Márcia Lopes de Souza.


Um convidado muito especial
Com a humildade e generosidade que marcam os grandes mestres, o músico paranaense Waltel Branco participou da edição do Fera em Rolândia tocando violão em todos os dias do evento nos intervalos de almoço. Prestes a completar 80 anos, no próximo dia 22, em que também se comemora o Dia do Músico, Waltel privilegiou os participantes com sua música instrumental de extrema qualidade e ainda pouco conhecida.
Convidado especial desde a primeira edição do evento, em 2004, ele também já deu aulas de música nas oficinas pedagógicas e considera um privilégio tocar para os estudantes e professores. ''Acho que tocar para as crianças e jovens é melhor porque eles são muito curiosos e têm a vantagem de serem honestos. E isso me ajuda a melhorar, a modificar o repertório'', afirma. Ele até compôs junto com Walmir Marcelino Teixeira a música ''Fera Pantera'', em homenagem ao evento, e que tem o tema adaptado da trilha do filme ''A Pantera Cor de Rosa'', em que Waltel participou como arranjador convidado junto com Henry Mancini e Quincy Jones.
Nascido em Paranaguá, o músico, maestro, compositor e arranjador Waltel Branco veio para Curitiba ainda pequeno estudar música. Da capital paranaense, passou para Cuba e Estados Unidos, até retornar ao Brasil para trabalhar por 20 anos como arranjador de trilhas para a Rede Globo, no Rio de Janeiro, e depois passar outros 20 em Curitiba, onde reside atualmente. No ano passado, a Fundação Cultural de Curitiba lançou o livro ''A Obra para Violão de Waltel Branco'', que reúne 45 partituras, selecionadas pelo violonista Cláudio Menandro. Mais informações sobre a sua trajetória pode ser conferida no curta ''Descobrindo Waltel'', de Alexandre Gamo, pelo YouTube.(A.P.N.)

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