O Prêmio Syngenta de Música Instrumental tem a chancela da Lei Rouanet, de incentivo federal à cultura, e trabalha com um orçamento de R$ 500 mil foi necessário quase um ano para elaboração e aprovação do projeto. A empresa, de origem suíça e voltada ao setor de agribusiness, encontrou no marketing cultural mais especificamente a música uma maneira de firmar ainda mais o nome nacionalmente. ''A proposta da Syngenta é fazer algo diferente que pudesse também história de alguma forma. Além disso, a empresa também se preocupa com a questão da responsabilidade social'', diz Antonio Carlos Costa, diretor de marketing services da Syngenta. Ele era um dos mais entusiasmados com os possíveis desdobramentos que o prêmio deverá ter, durante o almoço de lançamento ocorrido no aconchegante e original restaurante Capim Santo.
No entanto, as atenções acabaram mesmo se convergendo a Ivan Vilela, instrumentista e pesquisador da viola. ''O som da viola povoa o imaginário do brasileiro'', analisa. O instrumento foi trazido pelos colonizadores portugueses e constitui, de acordo com o material de divulgação, a base da chamada música caipira ou de raiz do Centro-Sul do Brasil.
Segundo Vilela, a viola teve seu apogeu em 1929, através da utilização em gravações feitas pelo lendário Cornélio Pires, e entrou em estado de depreciação a partir de 1950 os motivos vão desde o êxodo rural até a mesmo à predominância do atual gênero sertanejo romântico que abafou a música caipira.
Por outro lado, Ivan Vilela diz que sempre houve e há, digamos, frentes de resistência encontrados através de veteranos e novos violeiros, resguardadas as devidas proporções e sonoridades. ''A viola vem semostrando cada vez mais popular, com grande poder de expansão'', diz o músico acrescentando que nos últimos seis anos foram produzidos cerca de 30 discos de violeiros, a maioria instrumental.
Até o final do ano, Ivan Vilela provavelmente lança o segundo disco de viola-solo, pelo selo Sal da Terra, e que deverá entre 13 e 15 canções próprias, de Flávio Venturin, Beatles, Tio Carreiro e até mesmo uma moda imperial de domínio público. A unidade a temas de autores tão distintos será dado pela viola. ''Não me considero purista. Como músico, estou a serviço do instrumento dentro, claro, do bom senso e do bom gosto'', assinala Vilela. Pelo jeito, vem coisa boa pela frente.

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