A música instrumental, faça chuva ou sol, sempre dribla as intempéries do mercado fonográfico com bons lançamentos. Ignorando qualquer modismo, três álbuns recém-saídos do forno colocam a seriedade em primeiro plano e mostram que, no oceano dos instrumentos, os brasileiros navegam de vento em popa.
Entre as novidade está uma homenagem a Nicanor Teixeira, violonista que enveredou pela brasilidade compondo lundus, cateretês, ponteios, modinhas e outros gêneros. Baiano da Barra, vilarejo à beira do São Francisco, Nicanor estudou com Dilermando Reis e se tornou figurinha constante no repertório de violonistas como Sebastião Tapajós, Turíbio Santos e do curitibano Waltel Branco, entre outros.
A obra de Nicanor Teixeira está sendo lembrada pela Rob Digital com o disco ‘‘Nicanor Teixeira por Egberto Gistmonti, Galo Preto, Guinga, Maria Haro, Turíbio Santos & 18 grandes intérpretes’’. O título já dá uma idéia do cacife do CD. É a chance de conhecer uma obra ainda pouco destacada, gravada pela primeira vez. Nicanor Teixeira – que está com 71 anos – carrega nos gêneros nacionais misturando simplicidade a construções melódicas bem estruturadas. O resultado, muito próximo do popular, pode agradar até quem não gosta de música instrumental.
Outra pérola é ‘‘Ele e Eu’’, de Zé da Velha (trombone) e Silvério Pontes (trompete). Ambos destrincham choros e sambas que vão de Pixinguinha a Nelson Cavaquinho. O dueto de trombone e trompete funciona como um relógio, sem acorrentar a espontaneidade natural dos gêneros. O duo demonstra contemporaneidade tanto nos arranjos quanto na interpretação.
Zé da Velha é quase um mito do trombone nacional – já acompanhou Jacob do Bandolim, participou das intermináveis rodas de choro do bar Sovaco de Cobra, do Rio de Janeiro, e já gravou com Paulo Moura e Beth Carvalho. Silvério Pontes tocou com Tim Maia, Elza Soares, Luís Melodia e Ed Motta. ‘‘Ele e Eu’’ é um lançamento independente e pode ser encomendado pelo telefone (21) 273-5749 ou 9999-7528, com Maria Braga.
Também lançado de forma independente no Rio de Janeiro, ‘‘Rio Trio’’ reúne Paulo Sá – mestre em musicologia – no bandolim, Daniel Miranda – violões de seis e sete cordas e viola caipira –, e Henrique Drach – formado em violoncelo e integrante da Orquestra Filarmônica do Rio de Janeiro.
O trio interpreta um repertório composto por seus próprios integrantes. Transitando entre o samba, o choro, o jazz e a música de câmara, o CD ‘‘Rio Trio’’ é costurado por arranjos que misturam os timbres de cada instrumento, mostrando variações de intensidade, acelerações e recuos rítmicos, enfim, os três instrumentistas usam vários recursos para segurar a atenção do ouvinte.
Com uma formação fora do comum, o Rio Trio obtém um resultado capaz de apresentar caminhos às vezes surpreendentes. A trama sonora se cruza em diversos sentidos, fazendo com que os instrumentos passem do acompanhamento ao solo, abrindo espaços para o improviso. Os contatos com o Rio Trio podem ser feitos pelo telefone (24) 242-0729.

mockup