Instintos à beira do ridículo
Cuidado! Quinze anos depois de sua estréia como sexópata, a escritora Catherine Tramell está de volta em Instinto Selvagem 2(confira a programação de cinema na página 2). Segura de seu poder de sedução e disposta a manipular quem se coloque à sua frente. Transgressora, mentirosa, narcisista, inescrupulosa, perversa, insaciável. Quem novamente veste estas características é uma recauchutada Sharon Stone, que no início dos anos 1990 assombrou platéias masculinas e femininas mundo afora com este perfil de devoradora viúva negra. Sem mencionar um transtornado Michael Douglas, que levou para casa (e para o sanatório) o pesadelo da dupla Eros & Tânatos.
Ela agora está em Londres, às voltas com novos crimes, com a Scotland Yard e com um psicanalista que também cai de quatro diante de suas pernas, cruzadas ou não. Há várias interrogações que o roteiro descosturado não dá conta de resolver, com personagens e lubricidades entrando e saindo de uma história que parece muito mais interessada em outras lubrificações. É um thriller erótico? Se for é muito chinfrim, já que não tem qualquer rigor.
Mas o que parece de fato é com uma operação de marketing (frustrada, já que a bilheteria mundial é muito inferior ao fracasso) destinada a ressuscitar aquele clima de escândalo que envolveu o primeiro filme. Sem atentar para o fato de que as audácias de ontem são hoje, para o bem ou para o mal, pura rotina. Pergunta que atormenta e não quer calar: o que faz Charlotte Rampling nesta mixórdia? (C.E.L.J.)





