"Instinto" deve agradar ao grande público
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quarta-feira, 25 de agosto de 1999
Por Luiz Carlos Merten 
São Paulo, 26 (AE) - Nada mais surpreendente do que constatar que "Instinto" se baseia no best seller de Daniel Quinn, "Ismael". O livro foi editado no Brasil pela Fundação Petrópolis. Desde que foi publicado nos Estados Unidos, em 1992, virou um cult. Vencedor do Turner Tomorrow Award, um prêmio de US$ 500 mil concedido aos trabalhos de ficção que oferecem soluções para os problemas mundiais, foi adotado em escolas americanas e fez tanto sucesso que ganhou um site visitadíssimo na Internet.
O livro narra o diálogo de um homem com seu mestre, um gorila que concentra toda a sabedoria do universo e discute com o primeiro a capacidade de destruição do ser humano. O filme de Jon Turteltaub foi "sugerido" pelo livro. A relação de mestre e discípulo estabelece-se entre um psiquiatra arrivista, preocupado com sua carreira, e o homem que ele deve avaliar, psicologicamente, um cientista que viveu entre os gorilas na áfrica, despiu o manto da civilização e se tornou um selvagem responsável por mortes. O filme tenta responder à pergunta: por que ele matou? A partir daí, discute o embate entre instinto e civilização, as feridas do sistema carcerário, a psiquiatria tradicional.
Cuba Gooding Jr. e Anthony Hopkins são os atores. Dois vencedores do Oscar (por Jerry Maguire e O Silêncio dos Inocentes). Num primeiro momento, pelo próprio tema, pode-se pensar numa espécie de "O Silêncio dos Inocentes" sem Hannibal Lecter. Turteltaub deve tanto ao filme de Jonathan Demme quanto a "Um Estranho no Ninho", de Milos Forman. Demagógico, sentimental, feito para agradar ao grande público, "Instinto" talvez seja ruim, mas diz coisas que são relevantes. Apesar das facilidades de roteiro e direção, tem força para envolver e triunfar nas bilheterias.


