Inspirações cosmopolitas
PUBLICAÇÃO
domingo, 26 de outubro de 2008
Mariana Trigo<br> TV Press 
Diante da variedade de temas necessários para rechear uma novela, muitos autores optam pela homenagem a determinados países, regiões e até mesmo algumas cidades. Com isso, utilizam as influências e costumes estrangeiros para elaborar folhetins e construir tramas sobre Itália, China, Índia e Portugal. Miguel Falabella, por exemplo, estava em Lisboa quando começou a observar pessoas de diversas regiões do planeta que se entrelaçavam pela língua portuguesa, como Macau, na China. Resolveu mesclar essas referências lusófonas ao escrever ''Negócio da China''. ''Na mesma hora, me deu um estalo de fazer um intercâmbio cultural entre países que falam a nossa língua'', explica Falabella, que pretende explorar ainda mais as influências chinesas na trama das seis, através de lutas. Uma tentativa de superar o péssimo ibope da novela, que despenca ladeira abaixo com 15 pontos na média.
Enquanto Falabella aplica golpes de kung fu no baixos índices de audiência, Lauro César Muniz se prepara para mostrar uma faceta mais densa da Itália através de ''Vendetta'' - título provisório da próxima novela da Record, inspirada no romance ''Honra ou Vendetta'', de Silvio Lancellotti. No lugar do tradicional romantismo italiano, repleto de referências renascentistas da Toscana, Lauro preferiu as cenas de ação, que costumam fazer decolar a audiência das tramas da Record. Com isso, vai abordar o narcotráfico na novela que começa com externas gravadas em Palermo, capital da Sicília e berço da Máfia. ''A Itália vai ser o ponto de partida. Depois, vou me restringir aos italianos que vivem em São Paulo'', avisa Lauro.
Também prestes a estrear em janeiro - com a próxima novela das oito da Globo -, Glória Perez garante que vai mostrar a fundo os costumes indianos em ''Caminho das Índias''. Após mergulhar em pesquisas para a trama, a autora pretende trazer para o Brasil um panorama ainda desconhecido do povo indiano. Ela quer exibir em detalhes tradições da região, como as castas, e a prática do hinduísmo nesse país, que possui quase um 1,1 bilhão de habitantes. ''Meu interesse é sempre levantar temas de lugares e assuntos pouco conhecidos. Quando fiz 'O Clone', quase ninguém falava sobre o Marrocos e os muçulmanos'', diz Glória. ''Temos de nos despir dos nossos valores nesses trabalhos que tratam de outros povos. Precisamos olhar com amor para aprender e crescer'', ressalta Marcos Schetchman, diretor de ''Caminho das Índias''.
Além de procurar a beleza e o exotismo em outras nações, escritores e diretores também se debruçam em regiões do Brasil longe das grandes capitais. Dentre eles, Jayme Monjardim tem uma vasta experiência em enquadrar novas paisagens. Um de seus trabalhos mais bem-sucedidos foi quando eternizou as imagens de ''Pantanal'' na trama que está sendo reprisada pelo SBT. Em seguida, os cânions e horizontes do Sul do país foram valorizados na minissérie ''A Casa das Sete Mulheres''. Isso sem falar em ''América'', trama de Glória Perez, que mostrava os pesadelos que os brasileiros passavam para viver um suposto ''sonho americano''. ''Quando falamos sobre a América, abordamos o continente e não só a América do Norte. Mas uma das tramas que mexeu mais comigo foi mostrar o Sul do país em 'A Casa'. Tenho paixão por aquelas paisagens'', salienta Jayme.
O ufanismo brasileiro foi configurado em diversas tramas na tevê. Dentre elas, ''Aquarela do Brasil'' e ''Cidadão Brasileiro'', de Lauro César Muniz, ''Expresso Brasil'', de Dias Gomes, ''Amazônia - De Galvez a Chico Mendes'', de Glória Perez, e ''JK'', de Maria Adelaide Amaral, entre outras. Segundo Lauro César, foi em ''Aquarela do Brasil'' que o autor exaltou sua terra através das memórias da infância. ''Lembro dos pracinhas brasileiros indo para a Segunda Guerra Mundial. Já em 'Cidadão Brasileiro', decidi exaltar a ascensão de Brasília através do povo brasileiro'', esmiuça Lauro. A capital do País também foi ''reerguida'' em ''JK'', que contou 76 anos da História do Brasil. ''Foi um marco histórico para nosso país. Brincava dizendo que (Oscar) Niemeyer teve três anos para fazer o que fizemos em um mês'', observa o diretor Dennis Carvalho.


