Inspiração parisiense
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 30 de junho de 2011
Rafael Ceribelli <br> Reportagem Local 
Não é por acaso que o mundo inteiro fica sempre à espera do próximo filme de Woody Allen; todas as obras cinematográficas do diretor nova-iorquino trazem, em maior ou menor grau, um suspiro reconfortante para os apreciadores da Sétima Arte, com uma dose de crítica refinada que há muito tempo encontra-se extinta nas prateleiras de Blockbusters. O filme ''Meia-Noite em Paris'' - que estreia hoje na programação do Cine Comtour/UEL e nas salas do Multiplex Catuaí - não é uma exceção, e já é apontado pela crítica mundial como um dos melhores exemplares da nova safra do cineasta.
O novo filme de Woody conta a história de Gil (Owen Wilson), um famoso roteirista de Hollywood que, com o objetivo de buscar inspiração e iniciar uma nova carreira no ramo da literatura, tenta convencer a sua noiva - a contrariada Inez (Rachel McAdams) - a se mudar com ele para Paris, durante uma viagem de passeio dos dois. Além de receber como resposta o desdém da mulher, o pobre-rico personagem principal ainda tem que aguentar as investidas de um prepotente professor britânico (Michael Sheen), interessado nas curvas de sua bela esposa.
Cansado desses conflitos, o escritor resolve caminhar sozinho em um passeio noturno pelas ruas da cidade-luz. Quando o relógio bate meia-noite, ele é magicamente transportado no tempo, e fica preso na capital francesa da década de 20. Logo, Gil conhece a adorável Adriana (Marion Cotillard), e tenta entender como foi parar naquela situação ao mesmo tempo em que cruza com grandes nomes da cultura como Scott (Tom Hiddleston) e Zelda (Alison Pill) Fitzgerald, Gertrude Stein (Kathy Bates) e Salvador Dalí (Adrien Brody), entre outros inúmeros artistas e escritores, todos frutos da efervescência cultural parisiense da época.
Atuações marcantes, aliadas com o ritmo suave do longa, convidam o espectador a saborear uma deliciosa jornada - emocional e cultural - pelas ruas da capital francesa de outrora. ''Meia-Noite em Paris'' se revela, à primeira vista, como sendo uma bonita fábula sobre romance e criatividade; em um segundo olhar, a trama indica os 'perigos' iminentes de um artista em ficar preso à nostalgia de um passado distante, e de fugir de seu próprio tempo. Não podíamos esperar menos de Woody.


