Inspiração nos fatos e disciplina para escrever
José Antonio Pedriali é jornalista e escolheu a profissão por gostar de escrever. Na infância sempre pensou em contar histórias e sonhava em ser escritor. Ao completar 50 anos, se perguntou ''Onde estão meus livros?'', foi então que resolveu se dedicar à literatura, mas sem deixar o jornalismo. ''Gostaria de viver de literatura, mas ainda não é possível.''
Pedriali arregaçou as mangas e correu atrás dos sonhos de menino. Em três anos, escreveu seis livros. Antes de Fuga dos Andes publicou duas biografias de políticos londrinenses, Dalton Paranaguá e Wilson Moreira. E já tem prontos Poeta da Rebeldia e O senhor Fritz e seu cão diabo; O anel do capitão Shepherd está nos capítulos finais. E para o ano que vem o autor pretende escrever uma história sobre a catedral de Londrina e um romance sobre o atentado de Pinochet. O primeiro livro que publicou foi Guerreiros da Virgem - a vida secreta na TFP.
Poeta da Rebeldia tem como inspiração o avô de Pedriali e o livro mistura a história dele com a de Londrina. ''Ele chegou em 1938, participou do início da cidade. era um sujeito bem explosivo, costumava-se dizer que ele não tinha pavio.'' O senhor Fritz e seu cão diabo se passa na Londrina da década de 1960 mostrando a pujança da cidade, a modernidade brasileira, a prosperidade da era JK. O personagem que dá nome ao livro é inspirado em um vendedor de paçoquinha que tinha um cachorro preto muito malvado que era temido pelos meninos, que o chamavam de diabo. ''Quando era menino disse a ele que um dia iria escrever um livro e colocá-lo como personagem'', relembra.
Segundo Pedriali, o protagonista de O anel do capitão Shepherd mereceu notas de rodapé em muitos livros de história da América do Sul. O livro conta a história de dois marinheiros ingleses que vêm ao Brasil logo após a independência para comandar a frota de barcos (poucos e podres) que cuidaria da expulsão da esquadra portuguesa que estava na Bahia se preparando para atacar o Rio de Janeiro (capital do País).
Ele conta que escreve todos os dias porque se o escritor se desconecta fica difícil retomar. ''Estabeleci uma rotina e isso ajuda a manter a produção.'' Quanto à inspiração Pedriali explica que todas as suas obras partem de fatos reais. ''A inspiração está sempre no real, não dá para fazer literatura sem partir de fatos reais.'' (C.P.)





