Inspiração londrinense na Capital do Mundo
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 31 de março de 2008
Francismar Lemes<br> Reportagem Local 
Dizem que Nova York guarda e depura todo tipo de arte. ''The city that never sleeps'' (A cidade que nunca dorme) não perdoa. Ou ela engole os que batem à porta de sua muralha de arranha-céus ou os transforma em fenômenos da noite para o dia.
A artista plástica Isabel Santta Cecília chegou lá com a sua pop art. Mineira de Uberaba, ela escolheu Londrina para morar. Em sua primeira incursão artística pela ''Capital do Mundo'' ao participar da Artexpo de Nova Iorque, realizada de 28 de fevereiro a 4 de março, um dos maiores eventos do gênero no planeta, reunindo artistas de vários estilos, entre pintores, escultures, fotógrafos, animadores e decoradores, ela voltou com a bagagem cheia de contatos e o convite para estar na próxima edição da mostra.
Isabel está muito bem acompanhada, já que pela exposição passaram Andy Warhol e nomes como Leroy Neimen, Robert Rauschenberg, Peter Max, Robert Indiana e Romero Britto. A artista plástica chegou a Nova Iorque com o passaporte do Brazilian Group, do Rio de Janeiro, que se encarregou de selecionar os nove trabalhos dela expostos nos EUA.
''O colorido do meu trabalho é a cara de Nova Iorque'', revela Isabel. A empatia dos nova-iorquinos garantiu que na próxima Artexpo, a artista plástica poderá ter um estande exclusivo, com a possibilidade também de realizar exposições em galerias de Nova Iorque e Miami.
A arte de Isabel, que não se intimidou com o frenesi da 5 Avenida, marcou um encontro com ela em Londrina, lugar onde começou a pintar. A artista cria diante de um dos cartões-postais londrinenses: a paisagem do Lago Igapó e a multidão de prédios que passa na frente da sua sacada.
''Gosto da simplicidade de ter uma lona para trabalhar e pintar em cima. Já tive um ateliê, mas hoje, produzo em casa. A solidão para o artista é importante, nos levando a um mundo interior'', afirma.
Universo interno iluminado pelo artesanato e pela mulher das Minas Gerais, que ora é cheio de miudezas e delicadezas dos arabescos, mas também tem uma força ulterior feminina. É com essa mesma vitalidade que Isabel produz, sendo que a gestação de uma obra não dura mais que uma tarde de trabalho.
''Coloco sobre a mesa papel e tinta. Não existe uma produção prévia, não penso muito no que vou fazer. A tinta acrílica me ajuda bastante por ser de secagem rápida, o que me dá liberdade maior de expressão'', conclui Isabel, a mineira que aprendeu a amar Londrina e que começa um novo relacionamento com Nova Iorque.


