Inspiração franciscana
PUBLICAÇÃO
sábado, 06 de agosto de 2011
Márcio Maio <br> TV Press 
Desculpas não faltavam a Thiago Fragoso para não aceitar o convite para interpretar o mocinho Márcio de ''O Astro''. Além de ter sido pai pela primeira vez em fevereiro, o ator emendou a minissérie ''Dalva e Herivelto - Uma Canção de Amor'' com os trabalhos de ''Araguaia'', que se encerrou em abril. Mas o convite de Roberto Talma, com quem o ator já trabalhou nas novelas ''Agora É que São Elas'', ''O Profeta'' e ''Negócio da China'', soou irrecusável no primeiro momento. Tanto que garante não ter pensado duas vezes e já é capaz de afirmar que este se trata de um de seus trabalhos mais importantes.
''O Márcio é um dos personagens mais instigantes que peguei. E olha que eu tenho uma trajetória de papéis bem diversificada'', valoriza o ator, que conta que usou as histórias de São Francisco de Assis, Hamlet e O Poderoso Chefão para criar o personagem.
Você já conhecia a história de São Francisco de Assis antes de estudá-lo para ''O Astro''?
Sinceramente, não conhecia tão a fundo. Não sabia, por exemplo, que ele é considerado a segunda figura mais importante no Cristianismo. É Jesus e, depois, ele. Também desconhecia a importância que ele teve no Renascimento, sendo uma das forças motrizes para o surgimento do movimento. Eu tinha assistido a ''Irmão Sol, Irmã Lua'' - filme de 1972 dirigido por Franco Zeffirelli - quando era criança, mas não guardei tantas informações. Essa é uma grande vantagem da minha profissão: cada personagem traz uma bagagem nova.
Como o público tem reagido a ''O Astro''?
Com um filho pequeno em casa e gravando bastante, tenho saído pouco nos horários vagos. A maior parte dos comentários que vejo vem da internet, principalmente do Twitter. De uma maneira geral, tudo tem sido bem positivo. É claro que recebi diversas cantadas depois da cena de nudez. Algumas até me deixaram constrangido. Mas, mesmo nessa parte, muitas pessoas foram sutis na hora de comentar a cena, se referiram de maneira educada. Virou uma piada, uma brincadeira, sim, mas acho que a maioria que assistiu percebeu que a nudez ali não era o que realmente importava.
''O Astro'' é uma novela que é exibida mais tarde, o que possibilita sequências ousadas. Isso preocupou você quando foi convidado?
Sinceramente, acho isso muito bom. Sou ator de formação. Me diz o que é a cena que eu faço. Foi assim que me acostumei. Se eu leio um espetáculo, me chamam para fazer e eu vou, não posso deixar de fazer o que é pedido por isso ou aquilo. Sou disponível, não tenho esses pudores quando estou trabalhando. A vida não tem esses filtros. E tem outro lado: quanto mais a gente puder se aprofundar, melhor. É óbvio que confio nos autores e na direção também. Eles vão analisar, ver o que cabe e o que não cabe ali. Não há qualquer interesse em ser vulgar.
Você vem emendando um trabalho em outro na televisão. A teledramaturgia satisfaz suas aspirações artísticas?
Eu sou totalmente a favor da televisão. Morei nos Estados Unidos e a gente vê telenovelas estrangeiras em diversos canais. E acho que a novela brasileira é um gênero à parte, não se encaixa no mesmo grupo que as telenovelas de outros países. O que fazemos aqui é outra coisa. Temos 190 milhões de brasileiros e talvez uma das únicas coisas que consiga ligar o Norte de Roraima ao Sul do Rio Grande do Sul e ao Leste da Bahia seja a televisão, principalmente as novelas. Não tem jeito, hoje o que as pessoas querem saber é o que vai acontecer com a Norma e o Léo, personagem da Glória Pires e do Gabriel Braga Nunes em ''Insensato Coração''. Então, acho esnobe taxar a tevê como de segunda categoria ou dizer que não é arte. É a arte que a maioria dos brasileiros conhece. Não faço só para pagar minhas contas.
Atualmente, você também está no ar em ''O Clone'', na reprise do ''Vale a Pena Ver de Novo'', da Globo. Como avalia sua trajetória de lá até aqui?
Esse é um momento particularmente especial para mim. ''O Astro'' já é um dos meus trabalhos mais marcantes e é engraçado me ver fazendo dois desajustados, um em cada horário. Tenho essa carinha de cachinhos e olhos claros, mas já fiz alguns personagens bizarros, diferentes, esquisitos e angustiados. E ''O Clone'' me deu o passaporte para ir para ''A Casa das Sete Mulheres'', onde eu acho que minha carreira ganhou um impulso diferente. Por isso, para mim, foi uma época bem marcante.
Você falou dos olhos claros e cachinhos no cabelo. Esse tipo físico angelical já foi um problema para você?
Não luto contra essas coisas. Acho que o importante é me dedicar aos meus personagens e fazer o melhor com o que me é dado. Se eu fizer isso, naturalmente, explorarão outras facetas em mim. Até por própria escolha. Vai chegar um momento em que eu mesmo poderei pedir para fazer determinado papel. Como um vilão, por exemplo. Mas, até agora, o que me interessa mais é não me repetir. É muito fácil taxar um personagem só de mocinho ou mauzinho. Mas existem 500 possibilidades de mocinhos e mauzinhos. Enquanto me derem oportunidades de fazer coisas distintas, isso não vai me angustiar. Agora, se me colocarem em três papéis iguais, seguidamente, posso ficar incomodado.
''O Astro'' - Globo - Terça a sexta, às 23 h.


