Inspiração felliniana
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 17 de junho de 1997
Eduardo Minc TV Press 
Carla Marins foi buscar na obra do cineasta Federico Fellini a inspiração para compor a quenga que vive na novela A Indomada, de Aguinaldo Silva. No momento que soube que iria viver a fogosa Dinorah, a atriz tratou de alugar o filme As Noites de Cabíria e procurou captar os trejeitos da atriz e mulher do diretor, Giulietta Masina. Cabíria é uma prostituta romântica, que sonha em se casar.
Mas Carla não quer simplesmente reeditar o trabalho da Sra. Fellini. Procuro fazer a Dinorah de forma bem moleca e nada chorosa - garante. Segundo ela, o autor, com quem já trabalhou em Pedra Sobre Pedra lhe fez uma única recomendação: a de que a Dinorah é um personagem que deve se transformar no decorrer da trama.
Carla Marins, Ingra Liberato e Mônica Carvalho vivem em A Indomada as respectivas personagens Dinorah, Paraguaia e Maribel, que já saiu da trama. As três quengas atraem para si as cenas de maior erotismo, que se desenvolve na fictícia Greenville. Além de ver e rever As Noites de Cabíria, Carla também procurou compor Dinorah com a mesma sutileza dos traços do desenhista francês Gustav Klimt, que morreu em 1918.
Extremamente fascinada com o novo papel, Carla não deixa de pensar na personagem, nem mesmo nas horas de lazer. Recentemente, passou alguns dias em Mauá, no Rio, e comprou um colar de miçangas para Dinorah, adereço que ela já incorporou no seu dia-a-dia. A atriz diz que as meninas do bordel representam, com bom humor, o universo das prostitutas brasileiras. Mas tudo com muita pureza. Elas têm alusões poéticas às ninfetas de Lewis Caroll - define Carla.
Estabilidade Em relação a trabalhos, no entanto, Carla nunca teve de viver na corda bamba. Na verdade, jamais experimentou o desemprego. A moça é contratada da Globo desde os 17 anos. E garante que nunca teve de se submeter a nenhum tipo de constrangimento profissional - que é como ela classifica, por exemplo, de ter de ficar completamente nua em cena.
Na pele da prostituta Dinorah, é bem possível que isso ainda ocorra. Carla, porém, prefere não acreditar nisso. No início das gravações, a cena mais caliente vivida pela atriz foi ao lado de Cláudio Marzo. Ela teve de ficar apenas de roupas íntimas. Até as cenas de beijos são desconfortáveis, mas não fico travada com isso - diz a pudica Carla, que ajeita sistematicamente a mini-saia preta.
A moça procura preservar ao máximo a vida pessoal, especialmente quando está longe do Rio. Fora da cidade-sede da Globo, ela acredita que os fãs são bem mais impulsivos. Em São Paulo, por exemplo, a atriz sequer arrisca ir a um shopping.
Férias em Paris Tão logo acabaram as gravações de Tropicaliente, em que interpretou a sensualíssima Dalila, Carla fez as malas e partiu para Paris, disposta a aperfeiçoar o francês e fazer um curso na Escola de Mímica Dramática Etienne Decroux. Carla já conhecia a Europa mas não deixou de se impressionar ao morar na capital francesa. Lá, o cidadão vê os seus impostos revertidos para atividades culturais - acredita a atriz.
Durante a estada, Carla ficou surpresa com o critério utilizado para que um artista ganhe espaço na mídia. Segundo ela, na Europa, grande parte dos atores que saem em capas de jornais e revistas já têm uma longa trajetória profissional. No Brasil, as pessoas são alçadas ao sucesso de forma inconsequente - avalia.


