"Inspetor Bugiganga" estréia no País tentando reeditar o sucesso de "O Máskara"
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quinta-feira, 13 de janeiro de 2000
Por Jotabê Medeiros 
São Paulo, 13 (AE) - O vilão perde a mão e ganha uma prótese eletrônica. Resolve rebatizar-se e faz um pequeno "concurso" entre seus asseclas. Escolhe uma das sugestões: A Garra. Não, reconsidera: só Garra, porque aí fica mais parecido com Madonna, é mais "hype". Essa é uma das numerosas gags do filme "Inspetor Bugiganga", filme que estreou em julho nos Estados Unidos e chega agora aos cinemas brasileiros. Foi um relativo fracasso em sua pátria, mas não fez por merecer. Além de um time de bons atores se divertindo adoidado em cena - o mocinho é Matthew Broderick e o vilão é Rupert Everett -, a produção coloca o dinheiro da Disney a serviço do nonsense, o que por si só já é um mérito.
Dirigido por David Kelogg, "Inspetor Bugiganga" é claramente uma tentativa de reeditar o sucesso alternativo de "O Máskara", filme que alçou Jim Carrey ao estrelato. Tem exatamente a mesma fórmula: sujeito atrapalhado e sonhador, que vive com uma sobrinha e um cão, torna-se de repente uma espécie de super-herói dos comics. Só que no estilo esquizofrênico de Tex Avery (o criador do Pernalonga e do Patolino). Claro, podia ter um roteiro melhorzinho. Por conta dessa ausência de "dramaturgia", foi condenado parcialmente pela crítica internacional. "Foram os 80 minutos mais longos jamais feitos no cinema", disse Code Clark, da "Mr. Showbiz". "Excepcionalmente agradável e há ainda diversão suficiente para fazer a diversão dos adultos", disse Desson Howe, do "Washington Post".
O desenho animado que deu origem ao filme esteve na TV nos anos 80 e nunca foi também um grande sucesso. Preenchia buracos nas preliminares da "Sessão da Tarde", ao lado de outros fiascos vespertinos, como o detetive Polegar. É o clássico pateta que consegue as coisas por vias tortas. Tem um arsenal de recursos: a tampa do chapéu pode virar um helicóptero
saem molas e skates dos sapatos e o pescoço de mola estica até ele enfiar a cabeça no teto.
No filme, Broderick tem ainda a companhia de um clone aloprado, que propicia alguns dos momentos mais engraçados do filme. Chega a perseguir os habitantes de Riverton (a Nova York toon de Kellogg), imitando Godzilla, fazendo sombras com as mãos nas paredes. Everett está impagável como um vilão meio efeminado e sádico. O filme também foi muito criticado por ser uma espécie de merchandising ambulante. Literalmente, porque até o carro do inspetor Bugiganga tem máquinas de Skittles e Pepsi - ou seria Coca? Bem, não importa. Você sempre tem a opção de uma pipoquinha.


