Inquisição nas Américas
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 02 de setembro de 1998
Zeca Corrêa Leite 
A professora da USP, Laura de Mello e Souza, discorre esta noite sobre o longo braço da Inquisição, que chegou até as regiões brasileiras, no ciclo Brasil 500 Anos - Experiência e Destino, que está chegando ao seu final no Teatro da Federação Espírita do Paraná, em Curitiba. A sessão começa às 19h30.
A palestra Inquisição e Novo Mundo vai mostrar as semelhanças e as diferenças que a instituição adquiriu à medida que se estendeu da Europa para as regiões recém-descobertas do além-mar.
A América portuguesa não conheceu tribunais locais americanos, ao contrário do vice-reino do Peru, da Nova Espanha ou da Nova Granada, explica Laura de Mello e Souza. Enquanto as capitais da América espanhola foram palcos de autos-de-fé, contam-se nos dedos os pouquíssimos havidos no âmbito do domínio lusitano, onde só chegava inquisidor por ocasião de visitas - apenas três.
Um traço comum por onde o horror chegou era a perseguição aos cristãos-novos e heterodoxos. Era também comum mandar-se para as terras americanas os cidadãos acusados de heresia na metrópole européia. Uma contradição histórica: os inquisidores vinham até o Novo Mundo para acabar com as práticas que julgavam desviantes, mas por outro lado eram eles próprios que, com o degredo, incentivavam a sua perpetuação.
Evento:Brasil 500 anos - Experiência e Destino. Palestra de hoje, às 19h30m: Inquisição e Novo Mundo, com a professora Laura de Mello e Souza, no Teatro da Federação Espírita do Paraná - Alameda Cabral, 300, em Curitiba. Fone (041) 223-6174.


