INOVAÇÃO TECNOLÓGICA - TV digital estréia em dezembro
PUBLICAÇÃO
domingo, 25 de novembro de 2007
Bruna Fioreti<br> Agência Estado 
Ela ainda reina no centro da sala de estar dos brasileiros, mas mudou de espessura e sobrenome. Agora condensada em uma fina faixa de metal, a televisão passa a ser também digital - razão suficiente para cair na boca do povo. Pudera, propagandas financiadas pelas emissoras e um certo barulho em torno do assunto trouxeram termos como conversor e alta definição digital ao dia-a-dia. Mas saber o que muda, na prática, a partir de 2 de dezembro, data da estréia da transmissão digital na cidade de São Paulo, é privilégio de poucos.
Para quem não tem hábito de se inteirar sobre as inovações tecnológicas, tudo pode não passar de uma promessa vazia. Afinal, o que se ganha ao investir na TV digital? Especialistas em tecnologia têm na ponta da língua um bom motivo: a imagem melhora muito. Segundo profissionais da Rede Globo, as imagens terão a definição igual à de cinema e será possível assistir à TV com qualidade em carro, ônibus, metrô e em aparelhos como celulares.
O responsável pelo setor na Rede Record, José Marcelo Amaral, destaca a riqueza de detalhes que poderá ser percebida na tela como a maior vantagem. Isso para quem tiver um televisor de LCD ou plasma, a partir de 32 polegadas, mais o conversor. Mesmo com o tal set-top box (conversor), a imagem muda pouco ou nada se a TV for antiga.
O formato da imagem também passa a ser outro, retangular, e não o quadrado que se tem hoje. Em um monitor convencional, aparecerão duas faixas pretas, em cima e em baixo, como em um filme. O som melhora, ganha qualidade de CD. Mas as outras possibilidades da TV digital, por enquanto, serão apenas promessas. Ampla interatividade, canais simultâneos, transmissão portátil. Tudo isso vai esperar um pouco, até a tecnologia amadurecer no País (os outros estados só terão recepção digital a partir do ano que vem).
O preço da inovação é salgado. O set-top box custará, no mínimo, R$ 700, de acordo com o presidente da empresa Eletros, Lourival Kiçula. Mas ninguém precisa ter essa despesa tão cedo. O consumidor poderá deixar para adquirir o conversor quando o preço baixar, porque a transmissão digital vai conviver com a analógica (a que temos hoje) por dez anos. A previsão de Kiçula é de que o valor do aparelhinho esteja mais baixo em 5 ou 6 anos.
Mesmo os ''telefanáticos'' precisam esperar para comprar o conversor digital. Eles só estamparão as vitrines das lojas paulistanas a partir de novembro, junto aos televisores com conversor integrado, esses ainda mais caros que as TVs em alta definição comercializadas hoje.
Nos bastidores da TV, sim, os investimentos são imediatos. Tudo tem de ser produzido em alta definição (HD), pré-requisito para ser recebida em digital a partir de dezembro. As duas novelas que acabaram de estrear, ''Dance, Dance, Dance'', da Band, e ''Duas Caras'', da Globo, são feitas em HD. ''A resolução maior demanda um cuidado nos acabamentos, nas superfícies que necessitam aplicação de massa e consequentes emendas, bem como em todas as texturas aparentes'', informa a Globo. Outro cuidado é com a estética dos artistas. O supervisor de maquiagem de ''Dance'', Guilherme Pereira, diz que a base é mais suave do que a aplicada no cinema. ''Tudo o que a gente coloca no rosto de um ator ou atriz fica quatro vezes mais visível do que o normal.'' Por isso, a solução encontrada foi caprichar no tratamento da pele e do cabelo do elenco. Hoje ninguém percebe mas, com alta definição, as imperfeições vão aparecer. Basta pagar pra ver.


